No primeiro dia de julgamento dos acusados Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, a defesa, a acusação e as testemunhas apresentaram detalhes marcantes sobre o crime brutal que cometeu a vida da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018.
O primeiro dia do julgamento de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, acusados de assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, iniciou-se com forte comoção e vigilância popular. Seis anos após o crime, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro recolheu testemunhos cruciais e apresentou as denúncias iniciais que delineavam a gravidade do caso, sendo um dos julgamentos mais acompanhados da história recente do estado. O Ministério Público pediu uma pena máxima de 84 anos para os réus, sustentando que o assassinato foi um crime premeditado e com requintes de crueldade.
Um dos pontos mais marcantes deste julgamento é a repercussão social e política do caso, que revelou profundos esquemas de corrupção e violência relacionados à segurança pública do Rio de Janeiro. Durante a sessão, Marcelo Freixo, ex-deputado e amigo próximo de Marielle, destacou a importância histórica deste julgamento para a cidade e a denúncia do que chama de “esgoto político”, destacando a necessidade de um julgamento justo que exponha todas as camadas de corrupção associado a crimes de milícia e tráfico de influência.
As testemunhas incluíram Fernanda Chaves, a única sobrevivente do atentado, e membros das famílias de Marielle e Anderson, que enfatizaram as cicatrizes deixadas pelo assassinato. Além disso, duas testemunhas de defesa de Lessa foram convocadas, mas a defesa de Élcio optou por renunciar às testemunhas, talvez na tentativa de abreviar os procedimentos. A defesa dos acusados tentou argumentar contra o impacto das provas e questionou a confiabilidade das acusações, porém, o histórico de Lessa e Queiroz como ex-policiais com supostos vínculos com milícias pesa fortemente contra eles.
Esse julgamento também mobilizou entidades de direitos humanos e movimentos sociais, que desativaram a justiça para Marielle e Anderson e apontam as orientações dos executores como um passo fundamental para expor os mandantes. Com depoimentos emocionados e cobranças firmes por respostas, a sociedade civil reitera a exigência por justiça plena, que vá além dos executores e chegue aos verdadeiros responsáveis por ordenar o crime.
O julgamento deve ser rigoroso até a madrugada do dia 31, com a expectativa de revelar detalhes decisivos para a conclusão do caso e também sobre a extensão da rede criminosa envolvida. Este caso continua a representar um divisor de águas para a segurança pública no Rio de Janeiro, com muitos cidadãos e ativistas enxergando neste veredicto um precedente para a proteção de crimes ligados ao sistema de milícias e sua influência nas instituições públicas, especialmente na polícia.

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