google.com, pub-6509141204411517, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Revista Nova Imagem - Portal de Notícias

Nos acompanhe pelas redes sociais

ANAC anuncia novas regras e critérios mínimos para voos de balão após tragédias recentes

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Agência abre consulta pública ainda neste semestre para regulamentar balonismo comercial, estabelecendo transição do aerodesporto à operação certificada

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) divulgou nesta terça-feira (8 de julho) um pacote de medidas para modernizar a regulação de balonismo tripulado no Brasil. As mudanças ocorrem em resposta a mortes recentes no setor — sendo uma tragédia com oito vítimas em Praia Grande (SC) e outra no interior de São Paulo — e visam garantir segurança, profissionalização e abertura para operações comerciais certificadas.

Hoje, o balonismo no Brasil é autorizado apenas em duas frentes:

  1. Aerodesporto – prática recreativa, sem regulamentação instrumental, por conta e risco dos operadores.
  2. Operação certificada – com balões, pilotos e empresas homologadas pela ANAC — porém nenhum balão certificado opera no país atualmente.

A reformulação seguirá três etapas:

  • Curto e médio prazo: definição de restrições que delimitam claramente o que configura balonismo esportivo. Operações comerciais passarão a exigir critérios mínimos de segurança, ainda a definir via consulta pública.
  • Consulta pública: prevista para este semestre, reunirá contribuições de fabricantes, operadores, instrutores, órgãos e prefeituras.
  • Longo prazo: implantação de regulação definitiva e certificação obrigatória, alinhada a padrões internacionais, com fiscalização contínua.

O avanço no regulamento é impulsionado pelo Programa “Voo Simples”, iniciado em outubro de 2020. O programa reduziu a Taxa de Fiscalização da Aviação Civil (TFAC) para balões de cerca de R$ 900 mil para R$ 20 mil, estimulando quatro empresas a solicitar certificação. Esse movimento deve impulsionar atividades turísticas regionais, ainda que a ANAC reconheça os desafios de adaptação tanto para o setor quanto para a fiscalização.

O gatilho regulatório foram os incidentes com múltiplas mortes:

  • No dia 21 de junho, um balão turístico caiu em Praia Grande, SC, deixando oito mortos.
  • Pouco antes, uma mulher perdeu a vida em queda no interior de São Paulo.

Esses eventos expuseram as lacunas regulatórias existentes. A própria ANAC classificou o balonismo como “atividade de alto risco” praticada “por conta e risco dos envolvidos”, fato que reforçou a necessidade de intervenção.

Na Bahia, apenas uma empresa — Bahia Balonismo, atuando principalmente no Recôncavo — possui balões homologados junto à ANAC. O proprietário, Reginaldo Souza, relatou que, mesmo com a tragédia em SC, a clientela se manteve após explicações sobre a segurança das operações. Ele destaca que a atividade sofre com a informalidade e exige fiscalização clara para separar operações regulares das informais.

A regulamentação, uma resposta às tragédias, tem potencial para profissionalizar um setor com grande apelo turístico e gerar empregos regionais. Se os prazos forem cumpridos, a consulta pública ocorrerá ainda no fim de 2025, seguida pela implantação gradual dos novos critérios. A expectativa é que o Brasil ganhe seu primeiro balão certificado até 2026, com supervisão técnica e legal.