Como a sétima geração da família Beam mantém viva uma tradição de mais de dois séculos
Se há bourbon no copo, é muito provável que seja Jim Beam, a marca mais vendida do mundo, com cerca de 90% do consumo da categoria na América Latina, incluindo o Brasil À frente da produção está Frederick Booker Noe III, ou Fred Noe, master distiller e representante da sétima geração da família Beam à frente do negócio.
A Jim Beam foi fundada em 1795, em Clermont, Kentucky, por Jacob Beam, e resistiu até mesmo à Lei Seca, quando o patriarca reconstruíu a marca em apenas quatro meses após a revogação da proibição em 1933. Em 1943, o rótulo passou a ostentar oficialmente o nome Jim Beam, em homenagem a James B. Beam, que liderou essa reconstrução. Hoje, a empresa pertence à Suntory Global Spirits, que adquiriu a marca em 2014.
Uma tradição familiar que atravessa gerações
Fred Noe cresceu na casa de seu bisavô Jim Beam, em Bardstown, e ingressou nos anos 1980 na destilaria familiar. Em 2007, tornou-se master distiller após a morte de seu pai, Booker Noe, e em 2013 entrou para o Hall da Fama do Bourbon de Kentucky — décimo membro da família a receber tal honraria.
Fred supervisiona todos os estágios do processo: escolha de grãos, água com calcário, levedura ancestral e envelhecimento em barris novos de carvalho carbonizado — sem aditivos ou enzimas externas. Como ele diz, “Se você tem uma boa receita, fique com ela.”.
Ele trabalha agora ao lado do filho Freddie Noe, oitava geração da família, que lidera inovações em barricas e misturas para atender às demandas futuras — lembrando que um bourbon produzido hoje será engarrafado somente nos próximos quatro ou cinco anos.
O Brasil: um mercado em expansão
Em julho de 2025, Fred visitou o Brasil pela primeira vez, participando de eventos em São Paulo e no Rio de Janeiro para celebrar a marca e lançar o Jim Beam Black Cherry, versão infusionada com licor de cereja preta — novidade que amplia o portfólio nacional da marca. Segundo Lizandra Freitas, presidente da Suntory para a América do Sul, o Brasil é atualmente o país de maior crescimento no consumo de Jim Beam no mundo.
O bourbon é percebido pelos jovens consumidores brasileiros como uma alternativa sofisticada e versátil ao uísque escocês, com bom desempenho em coquetelaria e ocasiões sociais.
O legado do bourbon preservado
Jim Beam segue critérios rígidos: no mínimo 51% de milho, envelhecimento mínimo de dois anos, uso de barris novos e produção inteiramente nos EUA, geralmente Kentucky, lar de cerca de 95% da produção da bebida. Fred ressalta que mudanças climáticas não alteram sua política de manter a receita — mesmo quando fornecedores não entregam os grãos com padrão ideal, a escolha é pagar mais e manter a consistência.
Jim Beam tornou-se símbolo de autenticidade. Sua filosofia familiar combina tradição artesanal com capacidade de se reinventar para as futuras gerações — representada hoje por Freddie Noe, responsável por explorar novos perfis sensoriais sem abandonar os princípios centenários.