Durante conferência que celebra os 10 anos da Encíclica Laudato Si, a ministra destaca urgência ética no combate à crise climática
A ministra do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas, Marina Silva, participou nesta quarta-feira (1º de outubro de 2025) de um encontro no Vaticano em que teve um momento reservado com Papa Leão XIV e reforçou publicamente um convite para que o pontífice participe da COP30, que será sediada em Belém (PA) no período de 10 a 21 de novembro de 2025.
O evento integrava a conferência Raising Hope (“Espalhando Esperança”), organizada para marcar os dez anos da Encíclica Laudato Si’, documento papal que propõe um cuidado integral com a natureza, justiça social e responsabilidade ética com o planeta.
O encontro e as falas
Antes de seu discurso formal no evento, Marina Silva foi recebida em audiência privada pelo Papa Leão XIV, com participação de autoridades católicas como o cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB, e a presença do ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger.
Em seu pronunciamento diante de uma plateia formada por líderes religiosos, acadêmicos, representantes de movimentos sociais e especialistas ambientais, a ministra enfatizou a necessidade de aliar fé, ética e ciência na luta contra a crise climática:
“Já temos as respostas técnicas. O que falta é o compromisso ético de usar esse conhecimento para enfrentar a mudança do clima e combater a desigualdade. É incoerente dizermos que amamos o criador e destruirmos a criação.”
Ela apontou que a COP30 precisa ser um momento decisivo na implementação dos acordos firmados, especialmente após os compromissos estabelecidos no Consenso de Dubai durante a COP28, que chamaram para a transição global ao fim do uso de combustíveis fósseis de forma justa e planejada.
O convite para o Papa e o significado simbólico
Marina Silva aproveitou o prestigioso cenário vaticano para estender oficialmente o convite ao Papa Leão XIV, pedindo que ele participe presencialmente da COP30 em Belém. Segundo ela, a presença do pontífice “daria uma indispensável contribuição para que essa COP entre para a história como a COP da Esperança”.
Esse convite carrega peso simbólico e político:
- A inserção de uma figura religiosa com autoridade moral pode ampliar visibilidade global ao evento.
- Reforça a narrativa de que a crise climática não é só técnica: é também espiritual, ética, social.
- A ação aproxima o Brasil de discursos globais onde religionais e governamentais dialogam sobre sustentabilidade.
- Pode influenciar engajamento de organizações católicas e cristãs em campanhas climáticas no país e fora dele.
Até aqui, não há confirmação oficial pública de que o Papa aceitou o convite.
Contexto e panorama climático
A COP30, marcada para 10 a 21 de novembro de 2025, será realizada em Belém, no Pará, com a expectativa de reunir chefes de Estado, cientistas, ONGs, povos indígenas e representantes da sociedade civil do mundo inteiro.
A encíclica Laudato Si’, tema central da conferência no Vaticano, foi lançada em 2015 pelo Papa Francisco e representa uma das principais articulações entre fé e ecologia, instigando a reflexão sobre o papel humano no cuidado com a “Casa Comum”.
Nessa linha, Marina trouxe dados do contexto brasileiro: que muitos países cumprem metas ambientais até um ponto, mas faltam mecanismos efetivos de implementação, fiscalização e justiça climática que protejam populações vulneráveis.
Também foram mencionadas as tensões geopolíticas que cercam a agenda ambiental global, além do desafio de garantir que a transição energética justa chegue a todos os países, sem deixar ninguém para trás.

Crédito: Ascom/MMA