Acordo selado por Trump e mediadores abre caminho para reconstrução, mas desafios permanecem para garantir paz duradoura
Nesta segunda-feira (13 de outubro de 2025), durante uma cúpula de paz realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, líderes de diversos países assinaram um acordo de cessar-fogo para a Faixa de Gaza, marcando um momento simbólico e potencialmente decisivo para a região.
O premiê israelense Benjamin Netanyahu e representantes formais do Hamas não estiveram presentes na cerimônia. O acordo foi assinado por Donald Trump e pelos chefes de Estado dos países mediadores — Egito, Catar e Turquia — com apoio de figuras de mais de 20 nações.
O que prevê o acordo
Segundo documentos oficiais, o texto contém compromissos de “tolerância, dignidade e igualdade de oportunidades para todas as pessoas”, além da assinatura de metas que visam garantir que a paz se estenda independentemente de raça, fé ou etnia.
A primeira fase do plano inclui:
- cessar-fogo imediato entre Israel e Hamas;
- libertação dos reféns que ainda estariam em poder do Hamas;
- recuo gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza;
- criação de um “Conselho de Paz” internacional para monitorar o cumprimento dos termos acordados;
- formação de um comitê palestino “tecnocrático e apolítico” para auxiliar na administração de Gaza durante a fase de transição.
Após a assinatura, Trump afirmou que “a reconstrução começa agora” e celebrou o momento como um novo dia para a região. Ele assegurou que a parte mais difícil já havia sido feita, mas reconheceu que o desafio maior ainda está por vir — a reconstrução e a garantia de que o acordo se sustente.
Além disso, Trump expressou confiança de que o cessar-fogo será mantido, alegando que “as pessoas estão cansadas do conflito”.
Desafios e incertezas
Apesar da euforia inicial, especialistas e analistas apontam três grandes questões que podem determinar o sucesso ou colapso desse acordo:
- Comprometimento do Hamas
Há dúvidas se o Hamas cumprirá os termos, como desarmamento e abandono de áreas estratégicas. O grupo já foi acusado em negociações anteriores de usar pausas nos combates para reestruturar sua influência. - Governança e segurança transitória
Criar uma estrutura política provisória sem delegar poder ao Hamas será um desafio. Também será necessário mobilizar forças de segurança internacionais para garantir que o grupo não retorne ao controle militar. - Plano de reconstrução
Gaza sofreu danos massivos depois de dois anos de guerra. Reconstruir ruas, infraestrutura básica, habitações e serviços públicos exigirá recursos financeiros gigantescos, coordenação internacional e supervisão rigorosa.
A cúpula no Egito também serviu para alinhar essas próximas etapas. Espera-se que na reunião trilateral sejam definidas as responsabilidades dos países signatários no apoio à reconstrução e fiscalização do acordo.
Como o mundo reagiu
Aparentemente, o acordo teve uma recepção global positiva. Líderes de diferentes países elogiaram o gesto e manifestaram esperança de que esse seja o primeiro passo rumo a uma paz mais estável no Oriente Médio.
Porém, críticos ressaltam que a ausência de Israel e do Hamas na assinatura é simbólica — os protagonistas do conflito não ratificaram formalmente o texto.
Além disso, algumas vozes divergem quanto à real dimensão do pacto: pode ser uma trégua temporária ou mero símbolo diplomático, se não forem definidos mecanismos de verificação e cobrança.
Um novo capítulo, ou apenas um interlúdio?
Este momento ficará marcado como histórico: trata-se da primeira vez em que líderes globais se reuniram para selar um cessar-fogo em Gaza com apoio de Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, ainda que Israel e Hamas tenham estado ausentes da assinatura formal.
Se o acordo se mantiver e for seguido por avanços concretos — incluindo reconstrução e governança —, poderá representar um passo importante para uma paz duradoura. Se falhar, o risco é de que o conflito recomece ou as tensões voltem em novo ciclo.
Enquanto isso, para a população de Gaza, muitas esperanças estão depositadas nessa trégua: o retorno de reféns, alívio humanitário e a volta de um mínimo de normalidade. O sucesso dependerá, agora, da capacidade dos países signatários e autoridades regionais de cumprir e fiscalizar cada item do pacto.