Empresa de Virginia Fonseca é alvo de liminar por práticas abusivas; consumidores aguardam respostas
Uma liminar concedida pela Justiça de Goiás determinou que a WePink, marca de cosméticos vinculada à influenciadora Virginia Fonseca, esteja proibida de realizar novas lives de vendas e ações promocionais, até que apresente documentos que comprovem ter estoque suficiente para atender todos os pedidos pendentes. A decisão judicial ainda exige que a empresa adote outras medidas para proteger os consumidores e respeitar seus direitos.
Por que a proibição?
A ação foi movida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), que apontou um histórico preocupante de reclamações e denúncias contra a WePink. Entre os problemas listados estão:
- venda de produtos sem estoque suficiente para entrega;
- atraso excessivo nas entregas, em alguns casos de até sete meses;
- dificuldade ou recusa dos reembolsos;
- atendimento automatizado ineficiente e ausência de resposta adequada;
- remoção de críticas negativas nas redes sociais;
- envio de produtos com defeito ou diferentes do anunciado.
Em uma das lives, um dos sócios da empresa, Thiago Stabile, admitiu publicamente que a marca havia vendido itens mesmo sem tê-los em estoque, justificando que “cresceu rápido demais”. Essa declaração consta nos autos da ação como evidência de prática enganosa.
O que a liminar exige
A decisão judicial define várias obrigações que a WePink deverá cumprir para retomar suas transmissões ao vivo e para reparar o atual cenário:
- Comprovar estoque real — apresentar documentação que mostre que há mercadorias disponíveis e suficientes para atender às vendas futuras.
- Criação de canal de atendimento humano — em até 30 dias, a empresa deverá contar com atendimento que não seja apenas automatizado, com respostas iniciais em até 24 horas.
- Transparência nas regras comerciais — divulgar claramente nas redes sociais e em seu site os procedimentos para cancelamentos, trocas e reembolsos.
- Multas por descumprimento — existe multa de R$ 100 mil por ocorrência caso ela não comprove o estoque ou viole a proibição das lives. Também há multa de R$ 1 mil por ocorrência se não atender a obrigações de transparência e atendimento.
- Relação pública de reclamações — apresentar lista completa de queixas registradas desde o início das operações, como parte da obrigação de prestação de contas.
Reações e implicações
Para o MPGO, essas medidas são urgentes, porque o consumidor estaria sendo exposto a riscos graves — compras sem entrega, falta de suporte e falsas expectativas. A ação tenta evitar danos maiores à população que consome através das lives, modelo popular entre marcas digitais.
Apesar disso, a WePink ainda não havia sido oficialmente citada no momento das reportagens, de acordo com os veículos que cobriram o caso. A marca afirmou que só poderá se manifestar após receber documentação formal do processo.
O que vem pela frente
A liminar é provisória — serve para conter os danos imediatos aos consumidores enquanto o processo principal segue. Em dezembro de 2025, está marcada uma audiência de conciliação entre as partes, que poderá definir obrigações permanentes ou até sanções mais duras.
Caso a WePink não cumpra absolutamente todas as exigências, poderá perder as lives como canal de vendas definitivo, além de responder por indenizações por danos morais coletivos e civis aos consumidores lesados.
Para quem fez compras na marca ou está aguardando entregas, esse caso reforça a importância de documentar pedidos, guardar provas (capturas de tela, comprovantes) e usar mecanismos legais como Procon ou judiciário para reivindicar seus direitos.