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Último show de Gal Costa ganha registro oficial em álbum póstumo

Foto: Reprodução
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O espetáculo encerrado no Coala Festival 2022 é agora eternizado no disco “As Várias Pontas de uma Estrela (Ao Vivo no Coala)”, que reúne clássicos da cantora em parceria com nomes da nova geração da MPB.

Na tarde de 17 de outubro de 2025, foi lançado o álbum ao vivo “As Várias Pontas de uma Estrela (Ao Vivo no Coala)”, que registra o que se tornou o último show oficial de Gal Costa — apresentado durante o Coala Festival em setembro de 2022.

Esse show marcou não apenas o fim de uma fase, mas a consolidação de uma voz que atravessou gerações. Aos 77 anos, a cantora realizou essa performance com um repertório cuidadosamente selecionado, que passeia por sucessos da própria carreira e por homenagens à MPB. Pouco depois, em novembro de 2022, Gal Costa faleceu em São Paulo em decorrência de um infarto.

Um disco para guardar

O álbum traz 20 faixas que resumem muito da trajetória da artista e, ao mesmo tempo, mostram sua disposição em dialogar com artistas de gerações mais recentes. Entre as músicas estão “Fé Cega, Faca Amolada”, “Hotel das Estrelas”, “Divino Maravilhoso”, “Dom de Iludir”, “Um Dia de Domingo” e “Brasil”.

Ela faz parcerias expressivas nessa gravação: com Rubel nas faixas “Como 2 e 2” e “Tigresa”, e com Tim Bernardes em “Vapor Barato”. Essas colaborações dão ao disco uma textura que une passado e presente de uma maneira muito viva.

A gravação foi mixada e remasterizada para entregar ao público uma qualidade à altura da grandiosidade do momento. Além do áudio, haverá também o lançamento da filmagem do show, oferecendo um registro completo do espetáculo.

Legado revisitado

O lançamento desse álbum póstumo ocorre também em um momento de revisitação: vários trabalhos de Gal Costa que estavam ausentes nas plataformas de streaming passaram a integrar o catálogo digital recentemente, como “Gal” (1982), “Bem Bom” (1985) e “Lua de Mel Como o Diabo Gosta” (1987).

Isso demonstra como o legado da cantora — presente desde os anos 60, atravessando as fases do tropicalismo, MPB, jazz-influências, samba-rock e performances ao vivo — continua ganhando novos espaços e públicos. Ela foi uma das vozes mais influentes da música brasileira, e esse disco confirma que sua arte segue viva.

A importância desse registro

Registrar o último show de uma artista da estatura de Gal Costa vai além de entregar mais um álbum: é uma forma de documentar um ciclo, fechar um capítulo da história da música brasileira com dignidade e beleza. O nome “As Várias Pontas de uma Estrela” jamais soou tão apropriado — pois ele sugere múltiplas facetas, trajetórias, vozes e a conexão entre presente e futuro.

Além disso, esse tipo de lançamento dá aos fãs — antigos e novos — a oportunidade de acompanhar a artista num momento especial, com uma plateia, uma performance onde ela revisitou sua trajetória com plena consciência de seu valor histórico.

O que ouvir primeiro

Para quem for ao álbum pela primeira vez, vale dar atenção especial a:

  • “Como 2 e 2” e “Tigresa” — para notar a interação dela com Rubel e o frescor geracional.
  • “Vapor Barato” — onde Tim Bernardes soma presença e voz à grandeza de Gal.
  • “Baby” e “Um Dia de Domingo” — para sentir aquele calor nostálgico de dois hits que atravessaram décadas.
  • “Brasil” — que fecha o disco com símbolo e intensidade, ressoando o orgulho de uma voz que representa a música brasileira para o mundo.

Em síntese

Este álbum é uma celebração, um adeus — mas também um recomeço, porque cada vez que for ouvido, Gal Costa estará viva em cada nota. Ele reafirma uma trajetória que se recusa ao esquecimento e que dialoga com o presente da música. Para fãs, profissionais da música e ouvintes curiosos, é uma chance de revisitar uma das maiores artistas que o Brasil já produziu, no ápice de sua performance e com o selo de legado que ela sempre mereceu.