Embora o governo dos Estados Unidos tenha anunciado alívio para alguns produtos agrícolas brasileiros, o Brasil ainda segue sujeito a uma alíquota adicional de 40% sobre importações, conforme informado por autoridades americanas.
O Brasil segue sob uma pesada sobretaxa de 40% nas importações para os Estados Unidos, mesmo depois de uma recente medida de alívio anunciada pelo presidente Donald Trump. Fontes da Casa Branca informaram à CNN Brasil que, embora tenha sido reduzida a tarifa recíproca padrão de 10% para alguns produtos (como carne bovina, café e frutas), a sobretaxa específica sobre o Brasil permanece em vigor.
O que acontece
Em abril deste ano, os EUA impuseram uma tarifa recíproca de 10% sobre importações. Depois, em julho, Trump assinou decreto que manteve ou ampliou uma sobretaxa ao Brasil de cerca de 40%.Recentemente, o governo americano assinou uma ordem executiva que valida a redução da tarifa de 10% para alguns produtos agrícolas, com efeito retroativo a partir de 13 de novembro.
Mesmo com esse recuo parcial, produtores brasileiros alertam que o cenário continua difícil: a alíquota de 40% permanece, impactando exportações, especialmente de frutas. A Abrafrutas declarou que “a situação continua complicada”.
Impactos no Brasil
Para o setor exportador brasileiro, a permanência dessa sobretaxa representa obstáculos reais. No caso das frutas, por exemplo, a redução anunciada não contemplou todos os produtos. Segundo o diretor-executivo da Abrafrutas, dos cinco tipos de frutas mais exportados para os EUA (manga, uva, papaya/mamão, melão e melancia), apenas a uva ficou fora da nova lista de isenções. Ele estima queda de cerca de 70% nas exportações de uva em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Além disso, a medida dos EUA ocorre num momento de aumento de preços internos no país norte-americano, especialmente para café e carnes — o que tem pressionado o governo de Trump a revisar a postura tarifária.
O que as negociações indicam
Apesar de haver diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos — inclusive após encontro entre o ministro das Relações Exteriores brasileiras Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio — não há indicação de que o “tarifaço” aos produtos brasileiros vá ser suspenso automaticamente enquanto as conversas prosseguem.
Vieira declarou que o Brasil apresentou proposta e que espera um retorno do governo americano em breve, ressaltando que o interesse de ambas as partes em manter boa relação existe, mas que a sobretaxa não foi retirada.
Motivações e contexto
A medida dos EUA se encaixa em uma fase de política comercial mais dura, na qual Washington impõe alíquotas elevadas a países que considera terem práticas comerciais que deterioram sua balança comercial ou suas indústrias internas. No caso brasileiro, ainda que o Brasil apresente superávit comercial com os EUA, parte das justificativas de Trump foram de caráter político-diplomático, além de comercial.
Também há o fator interno americano: a elevação de preços dos produtos importados e a pressão sobre o consumidor nos EUA levaram o governo a isentar parte da tarifa padrão, mas sem tocar a sobretaxa adicional que atinge o Brasil.
Qual o cenário à frente?
O Brasil segue em uma situação de espera. A manutenção dos 40% significa que exportadores brasileiros continuam sob barreiras elevadas para acessar o mercado americano, o que pode prolongar efeitos negativos sobre faturamento e empregos no setor exportador. Por outro lado, o recuo para alguns produtos pode indicar abertura para negociações mais amplas.
Se o governo brasileiro quiser ver uma reversão da sobretaxa, precisará provavelmente avançar em negociações diplomáticas e comerciais, apresentando garantias ou contrapartidas, além de fortalecer a diversificação dos mercados de exportação para reduzir dependência dos EUA.