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Escândalo na Passarela: Renúncias e Protestos Marcam a Edição Mais Polêmica do Miss Universo 2025

Imagem: Reprodução/Instagram
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A consagração da Miss México foi ofuscada por uma crise de valores após o diretor local humilhar a vencedora publicamente, gerando uma onda de apoio feminista e o abandono de títulos por candidatas que exigem respeito e dignidade.

A 74ª edição do Miss Universo, realizada na Tailândia, entrou para a história não apenas por coroar a Miss México, Fátima Bosch, mas por uma polêmica sem precedentes que colocou em xeque os valores de empoderamento feminino que o concurso diz defender. O escândalo culminou na renúncia de títulos por candidatas e em uma crise de confiança na organização.

O Grito de Alerta na Tailândia

O centro da controvérsia ocorreu dias antes da grande final, em 4 de novembro, durante um evento na Tailândia. O empresário Nawat Itsaragrisil, diretor do Miss Universo na Ásia e Oceania e uma figura influente no país anfitrião, confrontou publicamente a Miss México, Fátima Bosch, em uma transmissão ao vivo. Nawat criticou Bosch por supostamente não ter postado conteúdo promocional da Tailândia nas redes sociais.

O que era para ser uma repreensão reservada transformou-se em humilhação pública. O empresário elevou o tom, interrompeu a miss e, segundo relatos da própria Fátima à imprensa, chamou-a de “burra” e “cabeça oca”. A situação atingiu o ápice quando Nawat chamou seguranças e ameaçou desclassificar qualquer candidata que demonstrasse apoio à mexicana.

A Força da Solidariedade Feminina

A reação ao comportamento de Nawat foi imediata e histórica. Em um ato de solidariedade e protesto, várias candidatas se levantaram e deixaram o recinto ao lado de Fátima, ignorando as ameaças de desqualificação. A própria Miss Universo de 2024, Victoria Kjær Theilvig, juntou-se ao protesto, repudiando o ataque.

Fátima Bosch, ao sair, deu uma declaração que ecoou a postura de empoderamento: “O mundo precisa testemunhar isso, porque somos mulheres empoderadas, e esta é uma plataforma para as nossas vozes – ninguém pode nos calar. Não sou uma boneca para ser maquiada e ter minhas roupas trocadas.”

A Organização Miss Universo global (MUO), através do seu presidente Raúl Rocha, condenou publicamente a atitude de Nawat Itsaragrisil, classificando-a como “comportamento malicioso” e afirmando que o empresário seria limitado de suas funções e enfrentaria medidas legais, reiterando que o Miss Universo é uma plataforma de respeito e dignidade. Nawat chegou a chorar e pedir desculpas em uma coletiva posterior, alegando “pressão imensa”.

As Renúncias Pós-Concurso

Apesar da vitória de Fátima Bosch, considerada por muitos como uma resposta direta à humilhação sofrida, a edição de 2025 deixou feridas profundas. Duas candidatas importantes renunciaram a seus títulos e posições após a final:

  1. Olivia Yacé (Miss Costa do Marfim): Quinta colocada na competição e detentora do título de Rainha Continental da África e Oceania, renunciou a ambos, alegando que precisava se manter fiel aos seus valores de “respeito, dignidade, excelência e oportunidades igualitárias”.
  2. Brigitta Schaback (Miss Estônia): Também renunciou ao título, declarando que seus princípios “não estavam alinhados com a Diretoria Nacional do concurso”.

Além das renúncias, houve questionamentos sobre a lisura do resultado final. Uma das juradas, a ex-Miss Universo 2005 Natalie Glebova, contestou publicamente a pontuação, gerando debates sobre a legitimidade do processo de votação. Organizações como o Miss France declararam que podem desistir da edição de 2026 caso não recebam respostas sobre a transparência do júri.

Apesar de tudo, a Miss Brasil, Maria Gabriela Lacerda, teve um bom desempenho, alcançando o Top 30. A organização já anunciou que a próxima edição, a de 2026, será realizada em Porto Rico, visando reforçar o compromisso da plataforma com o empoderamento feminino e a dignidade das participantes.