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Revolução contra a Dengue: Brasil aprova vacina de dose única e planeja ofensiva inédita no SUS

Getty Images
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Com a entrada da Butantan-DV no arsenal de imunização, país dobra a aposta no controle da doença, que bateu recordes de casos nos últimos anos; entenda as diferenças entre as vacinas e quem será prioridade.

O Brasil acaba de dar um passo gigantesco e histórico na luta contra a dengue, uma doença que atormenta a saúde pública nacional há décadas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da Butantan-DV, o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan que carrega o título de ser a primeira vacina contra a dengue de dose única no mundo.

Essa aprovação é um marco de esperança, especialmente após o país enfrentar picos alarmantes de casos nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, o Brasil registrou um número recorde de casos prováveis, superando a marca de 6,5 milhões e batendo todos os registros de óbitos desde o início da série histórica. A circulação intensa do sorotipo 3 (DENV-3), contra o qual grande parte da população não possui imunidade, somada às mudanças climáticas que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, tornou a situação crítica em diversos estados, como São Paulo, que chegou a decretar situação de emergência.

As Duas Armas do Brasil: Qdenga e Butantan-DV

Com a nova aprovação, o Brasil passa a ter duas vacinas registradas contra a dengue, cada uma com suas características e estratégias de aplicação:

1. Qdenga (Takeda)

O imunizante da farmacêutica japonesa Takeda foi o primeiro a ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

  • Esquema Vacinal: Requer duas doses com intervalo de três meses entre elas.
  • Público-alvo: É indicada para pessoas de 4 a 60 anos, mas, devido à capacidade limitada de produção, o Ministério da Saúde optou por priorizar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no Programa Nacional de Imunizações (PNI), faixa etária que historicamente concentra um número alto de hospitalizações. Na rede privada, ela está disponível para toda a faixa etária aprovada.
  • Eficácia: Após cerca de 4,5 anos de acompanhamento, a eficácia demonstrada nos estudos foi de 63% contra a doença sintomática e 85% contra internações.
  • Aplicação: Pode ser aplicada em quem já teve ou em quem nunca teve a doença (soropositivos e soronegativos).

2. Butantan-DV (Instituto Butantan/WuXi)

O grande diferencial é o esquema de dose única, que simplifica a logística e facilita a adesão da população, sendo crucial para um programa de imunização em massa.

  • Esquema Vacinal: Apenas uma dose é suficiente para garantir a proteção.
  • Público-alvo Inicial: A Anvisa aprovou o registro para a população de 12 a 59 anos. O Butantan, no entanto, já está em fase de estudos para ampliar o uso para crianças e o público acima de 60 anos, grupo que também é vulnerável.
  • Eficácia Superior: Os resultados de cinco anos de acompanhamento do ensaio clínico de fase 3 são extremamente promissores. No público aprovado (12-59 anos), a Butantan-DV alcançou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra casos graves com sinais de alarme e impressionantes 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.
  • Aplicação: Assim como a Qdenga, é tetravalente (protege contra os quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e se mostrou eficaz tanto em pessoas que já tiveram a doença quanto naquelas que nunca tiveram.

A Estratégia do Ministério da Saúde

Com a aprovação da vacina nacional, o Ministério da Saúde já se movimenta para definir a estratégia de vacinação. A expectativa, segundo o Ministro Alexandre Padilha, é que a Butantan-DV seja incorporada ao PNI e comece a ser distribuída no início de 2026.

A capacidade de produção é um ponto chave. O Butantan, em parceria com a empresa chinesa WuXi, já tem mais de um milhão de doses prontas e projeta a entrega de aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. Essa produção robusta, aliada ao esquema de dose única, é a grande aposta do governo para conseguir controlar a epidemia em escala nacional de forma mais eficaz, superando as limitações logísticas e de fornecimento da primeira vacina.

Apesar da chegada da vacina ser uma notícia fantástica, é fundamental que a população mantenha as medidas preventivas básicas, como a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, vedando caixas d’água, limpando calhas e removendo qualquer recipiente que possa acumular água parada. O combate à dengue é uma responsabilidade conjunta entre o poder público, a ciência e cada cidadão brasileiro.