google.com, pub-6509141204411517, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Revista Nova Imagem - Portal de Notícias

Nos acompanhe pelas redes sociais

O adeus de Dom Odilo e o silêncio forçado do Padre Júlio: as marcas de uma era em SP

Reprodução/Instagram
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Após aceitação de renúncia pelo Papa, relembramos o episódio que colocou a Arquidiocese de São Paulo no centro de uma polêmica sobre comunicação, fé e redes sociais.

A Igreja Católica em São Paulo vive um momento de virada histórica. Com a saída do Cardeal Dom Odilo Scherer, que teve sua renúncia aceita pelo Papa Francisco nesta quarta-feira, encerra-se um comando de 17 anos na maior arquidiocese do país. Mas, para além dos protocolos do Vaticano e da regra de aposentadoria aos 75 anos, o que muita gente está comentando agora são as feridas abertas em episódios recentes, especialmente o que envolveu uma das figuras mais queridas e controversas da cidade: o Padre Júlio Lancellotti.

A polêmica das “lives”: uma barreira entre o altar e a tela

Nos últimos anos, o Padre Júlio Lancellotti transformou as redes sociais em uma extensão de sua paróquia, a São Miguel Arcanjo. Suas transmissões ao vivo, ou “lives”, não eram apenas missas; eram janelas para a realidade nua e crua da população de rua na Cracolândia e no centro de São Paulo.

No entanto, em um movimento que pegou muitos fiéis de surpresa, a gestão de Dom Odilo Scherer implementou diretrizes que, na prática, proibiram essas transmissões pessoais. A justificativa oficial da Arquidiocese era a necessidade de “padronização” e “zelo litúrgico”, alegando que as paróquias deveriam seguir uma identidade visual e comunicativa institucional, sem dar tanto espaço para o protagonismo individual de cada padre.

O impacto de uma decisão “técnica” com peso político

Para os seguidores de Lancellotti e movimentos sociais, a medida foi vista como uma tentativa de silenciar o padre. Afinal, as lives eram uma ferramenta de denúncia contra a violência policial e o descaso público. Enquanto a Igreja falava em “normas de comunicação”, as ruas sentiam o peso da censura.

Esse embate expôs uma divisão clara: de um lado, a visão institucional e burocrática de Dom Odilo, que prezava pela hierarquia e pela sobriedade; de outro, o trabalho de base, muitas vezes ruidoso e incômodo, de Júlio Lancellotti. Essa tensão não ficou apenas no Brasil e chegou aos ouvidos do Papa Francisco, que é conhecido por ser um grande entusiasta do trabalho social de Lancellotti, tendo inclusive ligado para o padre em momentos de ameaça.

Um legado de contrastes

Dom Odilo Scherer deixa o cargo sendo respeitado por sua capacidade intelectual e por ter mantido a Igreja de São Paulo organizada em tempos de crise. Mas não há como negar que o episódio das lives deixou uma mancha em sua relação com a ala mais progressista da Igreja. A proibição das transmissões simbolizou, para muitos, um distanciamento da instituição em relação às novas formas de levar o Evangelho para quem não pode ir até o banco da igreja.

O que esperar do futuro?

Agora, a grande pergunta que fica nos corredores da Catedral da Sé é: o próximo arcebispo manterá esse “cabresto” digital ou abrirá as portas para que a tecnologia continue sendo uma aliada da caridade? A escolha do Papa Francisco para o sucessor de Dom Odilo será o sinal definitivo de qual caminho a Igreja de São Paulo deve seguir daqui para frente.