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Noite de emoções e polêmicas: Roberto Carlos reúne gerações em Salvador, mas estrutura gera críticas

Crédito: divulgação
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O show gratuito de Natal na Praça Maria Felipa emocionou milhares de fãs e acolheu centenas de idosos, mas a divisão de setores e a visibilidade do público geraram debate sobre exclusividade.

O Natal de 2025 em Salvador foi marcado por um dos eventos mais aguardados dos últimos anos: o show gratuito do “Rei” Roberto Carlos. Realizado na Praça Maria Felipa, no Comércio, o espetáculo prometia ser um presente para toda a cidade, unindo fãs de diversas gerações que chegaram cedo para garantir um lugarzinho perto do ídolo. No entanto, o que deveria ser apenas uma noite de celebração acabou expondo uma divisão de opiniões e de classes que deu o que falar.

O brilho do Rei e a inclusão social Do lado positivo, o show foi um marco de emoção. A Prefeitura de Salvador, organizadora do evento, promoveu uma ação louvável ao levar cerca de 800 idosos de instituições de acolhimento para assistirem à apresentação. Para muitos deles, ver Roberto Carlos de perto foi a realização de um sonho de uma vida inteira. Além disso, a presença de famílias inteiras, desde netos até bisavós, reforçou o poder que o cantor tem de atravessar décadas com seus sucessos como “Como é grande o meu amor por você” e “Jesus Cristo”.

A polêmica das grades e o “abismo” social A grande controvérsia começou com a configuração do mapa do evento. O show foi anunciado como gratuito, mas a divisão do espaço criou, na prática, experiências muito diferentes. De um lado, áreas de lounge e setores VIP com ingressos que custavam valores expressivos garantiam conforto e uma visão privilegiada do palco. Do outro, o setor “Pista”, destinado ao público geral que não pagou, ficou posicionado atrás de grandes estruturas e de uma área reservada muito extensa.

Fãs que chegaram ao local ainda durante a tarde se revoltaram com a visibilidade. Relatos nas redes sociais e em veículos locais apontaram que até mesmo o setor destinado a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida foi colocado em uma posição desfavorável, atrás de camarotes e lounges. A crítica principal foi que, embora o show fosse “para o povo”, as melhores fatias do espaço público foram entregues a quem tinha maior poder aquisitivo, criando uma barreira física entre o Rei e seus súditos mais humildes.

Justificativas e balanço final Após o show, a organização e órgãos municipais defenderam a estrutura, alegando que os setores pagos e os patrocínios foram necessários para viabilizar um evento dessa magnitude sem custos astronômicos para os cofres públicos. Argumentaram também que telões de alta definição foram espalhados pela praça para que todos pudessem acompanhar os detalhes, independentemente da distância do palco.

Apesar dos problemas de logística e do descontentamento de parte do público com a “hierarquia” do espaço, o talento de Roberto Carlos foi inquestionável. O Rei entregou um show impecável, com a voz firme e a distribuição das tradicionais rosas, encerrando a noite sob uma chuva de aplausos. Fica, para os próximos grandes eventos em Salvador, a lição de que a gratuidade em espaços públicos precisa caminhar de mãos dadas com a democratização do acesso visual e da dignidade para todos os espectadores.

Crédito: divulgação