Órgão de defesa do consumidor identificou falhas graves na entrega de produtos e falta de transparência com os clientes; empresa ainda pode recorrer da decisão
O Procon-SP anunciou recentemente uma multa pesada contra a Wepink, marca de cosméticos que tem como principal rosto a influenciadora Virgínia Fonseca e o empresário Samara Pink. O valor da sanção chega a R$ 1,5 milhão, motivado por uma série de irregularidades que ferem o Código de Defesa do Consumidor (CDC). A decisão aconteceu após uma onda de reclamações de clientes que se sentiram prejudicados ao comprar itens da marca através do site oficial.
O que motivou a multa? A fiscalização do Procon-SP começou após o órgão notar um volume atípico de queixas. Entre os principais problemas apontados estão o atraso excessivo na entrega de pedidos e, em muitos casos, a não entrega dos produtos comprados. Além disso, a autarquia identificou que a empresa não oferecia informações claras sobre os prazos de frete e dificultava o processo de cancelamento ou reembolso para quem desistia da compra devido à demora.
Outro ponto crítico destacado pelo Procon-SP foi a falta de transparência nos canais de atendimento. Muitos consumidores relataram que, ao tentarem resolver problemas com a empresa, não recebiam respostas ou ficavam “no vácuo”, o que é considerado uma prática abusiva. Segundo o órgão, o fornecedor tem a obrigação de dar suporte eficiente e informações precisas ao comprador.
O histórico da Wepink e as redes sociais Não é de hoje que a Wepink se vê envolvida em polêmicas. Conhecida por suas “lives” de vendas que duram horas e faturam milhões de reais em poucos minutos, a marca costuma atrair uma multidão de compradores simultâneos. Especialistas do setor apontam que esse volume gigantesco de pedidos pode acabar sobrecarregando a logística da empresa, gerando os gargalos nas entregas citados pelo Procon.
A multa de R$ 1,5 milhão foi calculada com base no faturamento da empresa e na gravidade das infrações. Embora o valor seja alto, ele serve como um alerta para o mercado de influenciadores, reforçando que o sucesso nas vendas digitais deve estar obrigatoriamente atrelado ao respeito às leis de consumo.
E agora? A Wepink ainda tem o direito de apresentar sua defesa e recorrer da decisão administrativa. Até o momento, a empresa tem focado em ajustes internos para tentar normalizar as operações e evitar novas sanções. Para o consumidor que ainda possui problemas com a marca, a recomendação oficial é registrar a queixa diretamente no site do Procon de seu estado ou através da plataforma consumidor.gov.br.