A decisão foi baseada no alto custo do imunizante e no impacto financeiro para o governo; entenda o que é a doença e quem ainda pode tentar a vacinação gratuita em casos específicos.
O Ministério da Saúde publicou oficialmente a decisão de não incorporar a vacina contra a Herpes Zoster, conhecida como “cobreiro”, ao Calendário Nacional de Vacinação do SUS. A medida, que já era discutida por órgãos técnicos, foi confirmada através do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (14). A decisão frustra a expectativa de muitos idosos e profissionais de saúde, que viam na vacina uma forma de prevenir uma doença que causa dores crônicas e severas.
A análise foi feita pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS). O principal motivo para a negativa não foi a eficácia do imunizante — que é reconhecidamente alta —, mas sim o custo-benefício. Segundo o Ministério, o preço cobrado pela farmacêutica para a compra em larga escala ainda é muito elevado, o que comprometeria o orçamento público de forma insustentável no momento.
O que é a Herpes Zoster e por que ela preocupa?
A Herpes Zoster é causada pelo vírus Varicela-Zoster, o mesmo da catapora. Quem já teve catapora em algum momento da vida carrega o vírus “adormecido” no sistema nervoso. Com o envelhecimento ou a queda da imunidade, esse vírus pode “acordar”, causando erupções na pele, bolhas e uma dor latejante e intensa.
O maior perigo é a chamada neuralgia pós-herpética, uma complicação que faz com que a dor persista por meses ou até anos após as feridas terem cicatrizado, afetando drasticamente a qualidade de vida da pessoa.
Existe alguma exceção para tomar a vacina no SUS?
Embora a vacina não tenha sido liberada para o público em geral (pessoas acima de 50 ou 60 anos), o SUS ainda oferece o imunizante em situações muito específicas através dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs). Atualmente, têm direito à vacinação gratuita:
- Pessoas com mais de 18 anos que realizaram transplante de medula óssea ou órgãos sólidos.
- Pessoas vivendo com HIV/Aids.
- Indivíduos imunossuprimidos por conta de doenças ou tratamentos específicos.
Para os demais grupos, a vacina Shingrix (atualmente a mais eficaz disponível no mercado) segue disponível apenas na rede privada, onde o esquema vacinal de duas doses pode custar entre R$ 1.600 e R$ 2.000, dependendo da região. O governo informou que continuará monitorando os preços e novas evidências para, quem sabe no futuro, reavaliar a inclusão.