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Justiça nega pedido de prisão de sócios de academia após morte de aluna em São Paulo

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Investigação aponta que jovem de 28 anos teria passado mal após inalar vapor tóxico na área da piscina; magistrado aguarda laudos finais para decidir sobre responsabilidades

O caso que chocou a capital paulista no início deste mês ganhou um novo desdobramento jurídico. A Justiça de São Paulo negou, nesta sexta-feira (13), o pedido de prisão preventiva dos sócios da academia onde a jovem de 28 anos faleceu. O ponto central da investigação, que agora ganha detalhes alarmantes, é a suspeita de que a vítima tenha sofrido uma intoxicação aguda após a manutenção inadequada dos produtos químicos da piscina.

A suspeita de intoxicação por cloro Diferente do que se acreditava inicialmente — um mal súbito comum durante o treino — as investigações da Polícia Civil e relatos de testemunhas indicam um cenário mais complexo. A aluna estava nas dependências da academia quando teria inalado um forte vapor vindo da área da piscina. Segundo especialistas consultados sobre o caso, a mistura incorreta de produtos químicos, como o cloro, pode gerar gases tóxicos que, em ambientes fechados, provocam asfixia e parada cardiorrespiratória em poucos minutos.

Frequentadores do local relataram que, no dia do ocorrido, o cheiro de produto químico era “insuportável” e que outros alunos também sentiram desconforto respiratório e ardência nos olhos.

Por que a Justiça negou a prisão? Apesar da gravidade dos indícios, o juiz entendeu que os donos da unidade não preenchem os requisitos para a prisão preventiva neste momento. Segundo a decisão, os empresários estão colaborando com as investigações, entregaram as imagens das câmeras de segurança e não representam risco de fuga. Para o magistrado, é necessário aguardar o laudo necroscópico definitivo do Instituto Médico Legal (IML) e a perícia técnica da Vigilância Sanitária no sistema de tratamento de água da academia antes de qualquer medida de privação de liberdade.

A defesa dos sócios alega que a manutenção era feita por uma empresa terceirizada e que todos os protocolos de segurança estavam em dia, tratando o episódio como uma “fatalidade imprevisível”.

Negligência e segurança em xeque O episódio acende um alerta vermelho sobre a fiscalização de academias que possuem centros aquáticos. Além da presença de salva-vidas e desfibriladores (DEA), a manipulação de produtos químicos exige certificação específica. Se for comprovado que houve erro no manuseio do cloro ou falta de ventilação adequada, os sócios podem responder por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) ou até doloso eventual, caso fique provado que assumiram o risco ao operar o local em condições irregulares.

A família da vítima, que era saudável e não tinha histórico de doenças, clama por agilidade na conclusão dos laudos. “Não foi um acidente, foi uma sequência de erros”, afirmou o advogado da família.

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução