Com uma estrutura gigante de coleta e conscientização, a folia baiana se torna a maior ação de logística reversa de latinhas de alumínio do planeta
O Carnaval de Salvador de 2026 não será lembrado apenas pela música, pelos trios elétricos e pela energia contagiante do povo baiano. Este ano, a festa cravou seu nome no Guinness World Records, o famoso livro dos recordes, por um motivo que orgulha todo o Brasil: a maior ação de reciclagem de latinhas de alumínio do mundo em um único evento.
A marca histórica foi alcançada graças a uma operação de guerra montada nos circuitos Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Campo Grande) e Batatinha (Pelourinho). A iniciativa uniu o poder público, empresas privadas e, principalmente, o trabalho incansável de milhares de catadores e catadoras que transformaram as ruas da capital baiana em um exemplo global de sustentabilidade e economia circular.
Como o recorde foi batido
Para se ter uma ideia da magnitude, a operação contou com centrais de coleta estrategicamente posicionadas, onde as latinhas eram pesadas, prensadas e destinadas à reciclagem em tempo recorde. Segundo dados levantados, o volume de alumínio recolhido durante os dias de folia superou qualquer outra marca anterior registrada em eventos de massa ao redor do globo.
Mas o recorde não é feito apenas de números; ele é feito de gente. A estratégia deste ano focou na valorização dos profissionais da reciclagem. Foram montados pontos de apoio com infraestrutura digna, oferecendo alimentação, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e, o mais importante, um preço justo pelo material coletado, garantindo que o impacto social fosse tão grande quanto o impacto ambiental.
Salvador como referência em sustentabilidade
Especialistas em meio ambiente destacam que o alumínio é um dos materiais mais sustentáveis que existem, pois pode ser reciclado infinitas vezes sem perder a qualidade. Ao retirar milhões de latas das ruas e praias, Salvador evitou que toneladas de resíduos fossem parar no oceano, protegendo a rica biodiversidade da Baía de Todos-os-Santos.
Além disso, a ação serviu como uma enorme vitrine de conscientização. Turistas do mundo inteiro que passaram pelos blocos e camarotes foram impactados por campanhas educativas, mostrando que é perfeitamente possível curtir a maior festa de rua do planeta e, ao mesmo tempo, cuidar do futuro da Terra.
Este título do Guinness coloca o Carnaval de Salvador em um novo patamar. Agora, além de ser a capital da alegria, a cidade se firma como a capital mundial da logística reversa, provando que a folia e a responsabilidade ambiental podem — e devem — andar de mãos dadas.
Foto: Valter Pontes/ Secom PMS