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Caso Cão Orelha: Ministério Público monta força-tarefa para analisar mais de mil horas de vídeo

FOTO: REPRODUÇÃO/ INSTAGRAM
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Nova fase da investigação foca em dados de celulares apreendidos e exumação do animal para esclarecer morte na Praia Brava

A busca por justiça no caso do Cão Orelha ganhou um novo e robusto capítulo nesta terça-feira (3). O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou a criação de um grupo de trabalho técnico especializado para dar suporte às Promotorias de Justiça. O objetivo é dar conta do enorme volume de provas acumuladas, que agora inclui mais de mil horas de filmagens e dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos durante as investigações.

O Cão Orelha, um animal comunitário muito querido na região da Praia Brava, em Florianópolis, foi morto no dia 4 de janeiro. A suspeita é de que ele tenha sido vítima de maus-tratos severos. Desde então, o caso mobiliza a comunidade e as autoridades locais, sendo acompanhado de perto pela 10ª e pela 2ª Promotorias do estado.

O peso das novas provas

A investigação avançou significativamente após diligências solicitadas à Polícia Civil. Entre os procedimentos realizados, destaca-se a exumação do corpo do animal, um passo técnico fundamental para determinar as causas exatas da morte e confirmar as agressões. A Polícia Civil não apenas cumpriu as solicitações iniciais, como também entregou 15 diligências complementares, somando um total de 50 novos elementos probatórios que precisam ser minuciosamente revisados.

Devido à complexidade e à extensão desse material — especialmente o conteúdo audiovisual e os arquivos digitais dos celulares — o Ministério Público entendeu que as promotorias responsáveis precisariam de um reforço técnico para garantir que nenhum detalhe passe despercebido. A Justiça estabeleceu um prazo de 30 dias para que essa etapa de análise seja concluída.

Sigilo e envolvimento de menores

Apesar do avanço, as autoridades mantêm cautela. Tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público optaram por não divulgar resultados parciais das análises ou da exumação, já que o processo tramita sob sigilo.

Um ponto sensível do caso é o envolvimento de adolescentes como principais suspeitos das agressões fatais. Por conta disso, o processo segue as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Vale lembrar que a Polícia Civil já solicitou à Justiça a internação de um dos jovens envolvidos, uma medida que, no sistema para menores, equivale à prisão preventiva de um adulto. O grupo de trabalho agora corre contra o tempo para fechar o cerco probatório e dar uma resposta final à sociedade.