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Avanço na Ciência: Anvisa Aprova Medicamento que Consegue Adiar o Surgimento do Diabetes Tipo 1

Crédito:Reprodução
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Inédito no Brasil, o tratamento foca em pacientes que ainda não apresentam sintomas, mas já possuem marcadores genéticos da doença, dando mais tempo de qualidade de vida

Uma excelente notícia para a saúde pública no Brasil: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde para o registro de um medicamento revolucionário, o Teplizumabe. Este é o primeiro tratamento no mundo capaz de mudar o curso do diabetes tipo 1, agindo antes mesmo de a doença se manifestar plenamente. O objetivo principal não é a cura, mas sim o retardo do diagnóstico, dando aos pacientes — especialmente crianças e jovens — meses ou até anos de vida sem a necessidade imediata de insulina.

Diferente do diabetes tipo 2, que muitas vezes está ligado ao estilo de vida, o tipo 1 é uma doença autoimune. Nela, o sistema de defesa do próprio corpo ataca por engano as células do pâncreas que produzem insulina. O Teplizumabe atua justamente aí: ele é um anticorpo que “reeduca” o sistema imunológico para que ele pare de destruir essas células vitais por um período determinado.

Como o tratamento funciona e quem pode usar? O medicamento não é para todos os casos de diabetes. Ele foi aprovado especificamente para adultos e crianças acima de 8 anos que estão no chamado Estágio 2 da doença. Nesse estágio, a pessoa ainda não sente nada e o açúcar no sangue parece normal em exames comuns, mas ela já possui os anticorpos que indicam que o ataque ao pâncreas começou.

De acordo com os estudos que embasaram a decisão da Anvisa, o uso dessa medicação conseguiu adiar o início clínico da doença (o Estágio 3, quando os sintomas aparecem) em uma média de dois anos. Para uma criança, ganhar dois anos sem picadas diárias de insulina e sem as restrições severas da doença representa um ganho imenso em desenvolvimento e bem-estar.

O desafio do diagnóstico precoce A chegada do medicamento traz à tona um novo desafio: como saber quem está no Estágio 2 se não há sintomas? Especialistas explicam que isso exigirá uma mudança na forma como fazemos exames preventivos em familiares de pessoas que já têm diabetes tipo 1, já que existe um fator genético envolvido. Identificar esses pacientes precocemente será a chave para que a nova droga seja realmente eficaz.

A aprovação pela Anvisa é o primeiro passo burocrático e científico. Agora, o medicamento segue para a etapa de precificação e, posteriormente, para a definição sobre sua inclusão nos planos de saúde e no SUS. É uma vitória da ciência que abre uma nova era no tratamento de doenças autoimunes no Brasil.