Artista estreia o single “Dança Nordestina” no dia 13 de maio, em Salvador, reafirmando que o ritmo deve ser vivido o ano inteiro e não apenas no São João
O forró é a alma do Nordeste, mas ainda carrega o estigma de ser um ritmo de “uma época só”. Historicamente muito associado aos festejos juninos, o gênero enfrenta o desafio de manter espaços abertos durante os outros meses do ano. Na contramão dessa lógica, o músico Ricardo Buruá inicia sua carreira solo com uma missão clara: provar que o forró pé de serra tem fôlego para embalar o público de janeiro a janeiro.
Após 14 anos liderando o Trio Buruá, o artista lança no dia 13 de maio o single “Dança Nordestina”. O evento de lançamento acontece na Casa Preta, no bairro Dois de Julho, em Salvador, dentro do projeto “Forró Não Para”. A iniciativa, idealizada pelo próprio artista, é um movimento itinerante que busca fortalecer a cena do forró na Bahia fora do calendário tradicional, reunindo bandas, escolas de dança e admiradores do ritmo em qualquer estação.
Tradição e novos ares Em sua nova fase, Buruá mantém a base clássica com sanfona, zabumba e triângulo, mas traz uma maturidade que permite diálogos com a MPB e o Jazz. Para o lançamento de “Dança Nordestina”, ele conta com nomes de peso, como Marquinhos Café na sanfona e Saulêra do Forró na zabumba.
Segundo o artista, o público nunca deixou de consumir o gênero, o que falta são oportunidades contínuas. “O forró é vivido o ano inteiro por artistas e escolas de dança. Meu trabalho busca fortalecer essa presença constante, mostrando que o ritmo não precisa ficar restrito a junho”, afirma Ricardo, cujo nome artístico “Buruá” significa “Lua” em língua indígena, uma homenagem ao eterno Luiz Gonzaga.