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Entre beats e fronteiras: como Van Müller transformou Salvador em ponto de partida para uma carreira internacional

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Da cena underground baiana aos maiores eventos eletrônicos do Brasil, a DJ soteropolitana construiu uma trajetória marcada por talento, resistência e representatividade feminina.


Durante muito tempo, os grandes centros da música eletrônica brasileira pareciam estar concentrados no eixo Sul-Sudeste. Mas uma artista baiana ajudou a provar que o talento não reconhece fronteiras geográficas. Nascida em Salvador, Van Müller construiu uma carreira sólida, respeitada e admirada, levando a energia da capital baiana para algumas das maiores pistas do país e para eventos internacionais.
Sua relação com a música começou ainda na infância, quando o violão e a curiosidade musical já faziam parte da rotina. Anos depois, foi nas festas da cena LGBTQIAPN+ de Salvador que surgiu a paixão pelo Tribal House, gênero que se tornaria sua principal assinatura artística.
O que inicialmente era apenas um interesse musical rapidamente se transformou em profissão. Após atuar como formadora de opinião em uma revista especializada em música eletrônica, Van recebeu o convite para aprender a tocar e mergulhou definitivamente no universo das cabines e dos festivais.
A estreia aconteceu no lendário Off Club, em Salvador, espaço que serviu como vitrine para uma artista que rapidamente seria reconhecida como uma das revelações da cena eletrônica baiana. Pouco tempo depois, a DJ passaria a integrar o time de residentes da icônica San Sebastian, uma das casas noturnas mais importantes da cena LGBTQIAPN+ brasileira.
Ao longo de mais de quinze anos de carreira, Van Müller acumulou apresentações em clubes, festivais e grandes eventos em diversas regiões do país, além de experiências internacionais que ampliaram ainda mais sua conexão com o público e com a música eletrônica global.
Mas talvez sua maior conquista seja o espaço que abriu para outras mulheres dentro de um mercado historicamente dominado por homens. Sua trajetória se tornou símbolo de representatividade, inspiração e resistência, especialmente para artistas nordestinas que sonham em ocupar os grandes palcos da música eletrônica.
Hoje, mais do que uma DJ, Van Müller representa uma geração de profissionais que transformaram paixão em propósito e autenticidade em identidade artística.
E em cada apresentação, seja em Salvador, São Paulo, Curitiba ou em qualquer parte do mundo, permanece viva a essência da artista que começou sua jornada ouvindo música em casa e que decidiu fazer das pistas de dança uma extensão da própria história.
A trajetória da Van Müller inclui passagens pelo extinto Off Club, residência na San Sebastian e apresentações em festivais e eventos nacionais e internacionais, consolidando seu nome como uma das referências femininas do Tribal House brasileiro.

Por André Cunha