Nova fase da Operação Caso Master revela monitoramento ilícito de autoridades e propostas milionárias para influenciadores digitais e jornalistas
A Polícia Federal (PF) avançou em uma nova etapa das investigações que envolvem o chamado Caso Master. Segundo as apurações mais recentes, uma organização criminosa ligada a Daniel Vorcaro e seus auxiliares, incluindo Thiago Miranda, teria estruturado uma rede para obter informações sigilosas e interferir em investigações em andamento. Um dos focos principais era o ataque coordenado ao Banco Central (BC) e a defesa da imagem de Vorcaro nas redes sociais.
De acordo com as investigações, a rede teria feito propostas milionárias para que criadores de conteúdo atacassem a autoridade monetária do país. Em depoimentos colhidos pela PF, influenciadores digitais relataram que agências ofereceram valores que chegavam à casa dos R$ 2 milhões para que fizessem publicações criticando o Banco Central e defendendo o Banco Master. A PF identificou uma lista de 40 perfis envolvidos que teriam participado dessas ações nas plataformas digitais.
Além do monitoramento e dos ataques ao BC através das redes, a investigação apontou que jornalistas e pessoas ligadas a autoridades públicas também foram alvo de monitoramento ilícito por parte do grupo. Em um dos casos analisados pela PF, diante da tentativa frustrada de encontrar algo que pudesse comprometer uma determinada profissional da imprensa, os envolvidos chegaram a cogitar a contratação da jornalista por um salário mensal de R$ 120 mil, somado a um bônus de assinatura (“luvas” contratuais).
Diante do avanço do inquérito e das ações policiais recentes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou formalmente a preservação imediata de todos os dados vinculados a Thiago Miranda. A defesa de Miranda, representada pelo advogado Rafael Martins, emitiu uma nota afirmando que as atividades do investigado sempre estiveram restritas ao campo técnico da comunicação reputacional, da estratégia institucional e da gestão de crise, classificando-as como áreas legítimas de atuação profissional. O caso segue em andamento na Polícia Federal, com foco na análise de dados e na apuração de todas as frentes da organização criminosa.