Descoberta inovadora reconecta células da retina colhidas até 10 horas após o falecimento e abre caminhos para entender como salvar o cérebro
Uma descoberta recente promete revolucionar a medicina e mudar a forma como entendemos o limite entre a vida e a morte celular. Cientistas conseguiram fazer com que olhos de doadores humanos voltassem a responder à luz, mesmo horas após o falecimento. O estudo traz uma nova esperança não apenas para o tratamento de doenças de visão, mas também para a preservação de outros tecidos do sistema nervoso central.
O experimento utilizou retinas de doadores humanos que foram obtidas entre 6 e 10 horas após a morte. Ao reverter a falta de oxigênio e aplicar uma técnica específica de estimulação, os pesquisadores conseguiram resgatar a viabilidade das células fotossensíveis. O resultado foi surpreendente: os olhos “acordaram” para responder aos estímulos luminosos, provando que é possível restabelecer funções biológicas que antes eram consideradas perdidas para sempre.
Para garantir o sucesso do procedimento, os cientistas mantiveram os órgãos em uma caixa de conservação especial em vez do método tradicional de congelamento. Para avaliar o estado das estruturas, a equipe contou com o apoio de uma inteligência artificial. O sistema de IA analisava fotografias das células e atribuía uma nota de 0 a 10 para o nível de dano. Essa avaliação automatizada confirmou que os olhos protegidos na caixa especial permaneciam muito mais saudáveis e preservados do que os deixados no gelo comum.
Como a retina é uma extensão direta do sistema nervoso central, o sucesso desse estudo acende uma luz para outras áreas da medicina. Os cientistas apontam que aprender a reviver essas células oculares pode ajudar médicos e pesquisadores a desvendar mecanismos para salvar o cérebro humano após episódios graves, como paradas cardíacas ou derrames (AVCs), minimizando os danos causados pela falta de oxigenação.