Os ambiciosos projetos do bilionário de colonizar Marte e criar megaestruturas espaciais baseiam-se na famosa Escala Kardashev, concebida na década de 1960 para medir o desenvolvimento tecnológico de planetas.
Os planos espaciais de Elon Musk, dono da SpaceX, frequentemente parecem saídos de roteiros de ficção científica, mas possuem um embasamento teórico bem definido que remonta aos tempos da Guerra Fria. O bilionário tem como meta de longo prazo elevar a humanidade ao patamar de uma “Civilização Tipo II”. Esse conceito faz parte da Escala Kardashev, uma classificação criada em 1964 pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev para medir o nível de avanço tecnológico de uma civilização com base na quantidade de energia que ela é capaz de utilizar.
A escala original concebida pelo astrônomo soviético divide as civilizações em três categorias principais. A do Tipo I representa uma sociedade capaz de aproveitar e armazenar toda a energia disponível em seu próprio planeta natal. Surpreendentemente, a Terra atual ainda não atingiu esse estágio completo; cientistas estimam que a humanidade esteja em torno do nível 0,7, dependendo fortemente de combustíveis fósseis e fontes limitadas. O Tipo II descreve uma civilização que consegue controlar a energia total de sua estrela hospedeira (no nosso caso, o Sol). Já o Tipo III alcança o domínio energético de uma galáxia inteira.
Ao projetar missões de colonização para Marte e propor infraestruturas gigantescas ao redor da Terra, Musk visa justamente acelerar a transição humana para além das barreiras do nosso planeta. Para atingir o Tipo II, teóricos sugerem que a humanidade precisaria construir estruturas colossais, como a famosa Esfera de Dyson — uma megaestrutura hipotética que envolveria o Sol para captar diretamente toda a sua radiação e energia produzida.
Embora o objetivo de Elon Musk de expandir a consciência humana pelo cosmos seja amplamente debatido e encarado com ceticismo por muitos especialistas devido aos imensos desafios técnicos e econômicos atuais, a discussão traz de volta aos holofotes uma teoria clássica da astronomia que tenta decifrar qual será o limite do desenvolvimento da vida inteligente no universo.