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Maior iceberg do Ártico desde 2020 se desprende da Groenlândia e surpreende cientistas ao resistir a colisão

Foto: Richard Sidey / EYOS Expeditions / AFP
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Com mais de 76 quilômetros quadrados, a imensa ilha de gelo se soltou da plataforma Petermann e permaneceu intacta após bater contra um paredão rochoso.

Em agosto, o Ártico registrou o surgimento de seu maior iceberg dos últimos seis anos. Com uma área superior a 76 quilômetros quadrados — extensão territorial comparável à da ilha de Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas —, o bloco de gelo se desprendeu da plataforma Petermann, localizada na costa noroeste da Groenlândia. O evento chamou a atenção de pesquisadores tanto pela dimensão da estrutura quanto pelo comportamento inesperado durante seu deslocamento.

O desprendimento foi identificado no dia 4 de agosto pelo pesquisador Adam Garbo, da Universidade de Ottawa, com o auxílio de imagens de satélite da Agência Espacial Europeia. A equipe de cientistas já acompanhava a região devido à formação de grandes fendas na plataforma, mas a ruptura surpreendeu ao ocorrer a partir de uma fratura menor e pouco observada até então, gerando uma massa de gelo ligeiramente inferior às projeções iniciais.

Após se soltar, o iceberg começou a descer pelo fiorde Petermann rumo ao estreito de Nares, navegando a uma velocidade estimada de três quilômetros por dia. Durante o trajeto, monitorado por imagens dos satélites Landsat da NASA e do USGS sob a supervisão do glaciologista Mauri Pelto, o bloco colidiu diretamente com a Ilha Joe, um afloramento rochoso na região.

A colisão era tida como um momento crítico, pois os icebergs originados na plataforma Petermann costumam ser mais finos — este tinha espessura estimada em menos de 150 metros — e vulneráveis à fragmentação mecânica. Em um evento similar registrado em 2010, um bloco de gelo vindo do mesmo local se dividiu ao atingir o mesmo obstáculo. Contudo, para a surpresa dos especialistas, o novo iceberg resistiu ao impacto sem se partir, girou ao redor da ilha e seguiu intacto em direção ao sudoeste no Estreito de Nares.

Apesar da resistência inicial, os pesquisadores apontam que a estrutura deve se enfraquecer gradualmente com a ação das marés, das correntes marítimas e do degelo natural, dividindo-se eventualmente em fragmentos menores ao longo do tempo.