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Medicamento contra câncer de pulmão apresenta resultados promissores e pode controlar a doença por até sete anos

Imagem de kalhh por Pixabay
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Estudo internacional aponta que 55% dos pacientes avaliados permaneceram vivos e sem progressão do câncer após sete anos de tratamento com Lorbrena. Medicamento é aprovado pela Anvisa, mas tem custo elevado no Brasil.

Um estudo publicado na revista científica Annals of Oncology, da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, apresentou resultados promissores sobre o uso do medicamento Lorbrena no tratamento de um tipo específico de câncer de pulmão. Segundo a pesquisa, o remédio pode manter a doença sem avançar por até sete anos em parte dos pacientes.

O Lorbrena é administrado por via oral, em comprimidos de uso diário. Os resultados fazem parte do ensaio clínico internacional CROWN, que acompanhou 296 pacientes, com idade média de 59 anos. Desse total, 59% eram mulheres e 41% homens. Cerca de 95% dos participantes tinham adenocarcinoma e ainda não haviam recebido tratamento anterior.

De acordo com os pesquisadores, 55% dos pacientes que sobreviveram permaneceram sem progressão da doença durante os sete anos de acompanhamento. Outro dado relevante mostrou que, entre aqueles que chegaram aos dois anos sem avanço do câncer, 79% tinham a possibilidade de continuar nessa condição até completar sete anos.

A pesquisa também identificou resultados positivos em relação ao comprometimento cerebral. Não foram registrados novos eventos cerebrais após os primeiros 30 meses de tratamento, indicando um importante resultado no controle da doença nessa região.

Segundo os autores, os resultados representam um avanço inédito para esse tipo de câncer.

Quem pode utilizar o medicamento?

O Lorbrena é indicado para pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC) em estágio avançado e com resultado positivo para a alteração genética ALK+, conhecida como quinase do linfoma anaplásico.

Essa característica genética é importante porque permite direcionar o tratamento para alterações específicas relacionadas ao desenvolvimento do tumor.

O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021. No estudo, os participantes receberam uma dose diária de 100 mg.

Apesar dos resultados apresentados, o acesso ao tratamento ainda representa um desafio. No Brasil, uma caixa com 30 comprimidos custa aproximadamente R$ 40 mil.

A CNN Brasil informou que procurou o Ministério da Saúde para saber sobre a possibilidade de incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.

Câncer de pulmão continua sendo um desafio no Brasil

Os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema. A estimativa é de aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos da doença.

O câncer de pulmão está entre os mais frequentes no país, ocupando a terceira posição entre os homens e a quarta entre as mulheres.

Entre os homens, os tipos mais incidentes são próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Já entre as mulheres, aparecem com maior frequência os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

Os resultados do estudo com o Lorbrena reforçam a importância das pesquisas científicas e do desenvolvimento de tratamentos direcionados, que podem ampliar as possibilidades de controle da doença e melhorar as perspectivas de pacientes com tipos específicos de câncer.