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Ataques hackers atingem sistemas de refrigeração de supermercados em vários países da Europa

Foto: MAUDE BRULARD/AFP
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Invasões cibernéticas alteraram a temperatura de freezers, provocaram perdas de alimentos e acenderam o alerta sobre a segurança de sistemas tecnológicos utilizados no comércio.

Supermercados de diferentes países europeus foram atingidos por uma nova onda de ataques cibernéticos nesta segunda-feira (2). As invasões afetaram sistemas de refrigeração de lojas na Suécia, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Irlanda e Estônia, provocando alterações nas temperaturas de geladeiras e freezers e causando prejuízos com a perda de alimentos.

Em alguns estabelecimentos, os equipamentos chegaram a registrar temperaturas de 50°C. O episódio apresenta semelhanças com um ataque ocorrido na França no mês anterior, quando hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração de centenas de supermercados, causando incêndios e perdas de produtos.

Na Bélgica e em Luxemburgo, dezenas de unidades das redes Ahold Delhaize e Colruyt foram afetadas. Na Suécia, as redes ICA e Coop também relataram problemas semelhantes. Segundo informações divulgadas à Reuters, uma loja franqueada da ICA, em Estocolmo, identificou que todos os seus congeladores haviam atingido 50°C. O ataque teria ocorrido por volta das 2h da manhã, mas só foi percebido algumas horas depois.

Outras redes também registraram prejuízos. O Grupo Colruyt informou que cinco lojas tiveram seus sistemas de refrigeração atingidos. Já o Carrefour confirmou que 15 de suas 700 unidades na Bélgica foram afetadas. Na Irlanda, a distribuidora Musgrave relatou problemas em 13 lojas da rede SuperValu, o que levou à retirada de produtos refrigerados e congelados das prateleiras.

Na Suécia, seis lojas da rede Coop também foram atingidas. Na Estônia, uma rede de supermercados registrou temperaturas de até 50°C nos equipamentos de refrigeração.

Prejuízos e preocupação com a segurança digital

Os impactos não ficaram restritos às grandes redes. Na Bélgica, o proprietário de uma rede de açougues relatou ter perdido aproximadamente 15 mil euros em carnes após encontrar os equipamentos de refrigeração operando em temperaturas de até 18°C.

Segundo especialistas, o setor varejista se tornou um alvo vulnerável porque administra uma grande quantidade de equipamentos conectados, como controladores de refrigeração, sistemas de gerenciamento predial, câmeras de segurança, controles de acesso e terminais de pagamento.

Com a modernização desses dispositivos, muitos equipamentos que antes funcionavam de maneira predominantemente mecânica passaram a ser monitorados e controlados remotamente. Essa conectividade, embora facilite a operação dos estabelecimentos, também amplia as possibilidades de exploração por criminosos digitais.

O pesquisador de cibersegurança Tom Hegel, da empresa SentinelOne, avalia que ataques desse tipo podem estar relacionados à extorsão, a motivações políticas ou a operações de nível estatal. No entanto, a ausência de exigências financeiras nos episódios recentes envolvendo supermercados levanta a possibilidade de sabotagem.

Autoria dos ataques ainda é desconhecida

Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria das invasões. Também não foi possível confirmar se os ataques registrados nesta segunda-feira têm relação com os episódios ocorridos na França em outubro.

Os casos aumentaram a preocupação das autoridades europeias com possíveis ações de sabotagem e ataques híbridos, em um cenário de tensões geopolíticas intensificadas desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. A Rússia, por sua vez, nega repetidamente qualquer envolvimento em operações desse tipo.

Na Suécia, o Centro Nacional de Cibersegurança informou que está acompanhando diferentes incidentes envolvendo supermercados no país. O órgão também identificou, nas últimas semanas, um número considerável de dispositivos de tecnologia operacional expostos a riscos e reforçou a necessidade de atualização dos sistemas e aplicação de correções de segurança.

Os episódios mostram como ataques digitais podem ultrapassar o ambiente virtual e provocar consequências diretas na economia, no funcionamento de empresas e no abastecimento de alimentos, além de gerar prejuízos para comerciantes e consumidores.