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A Batalha Contínua: Linn da Quebrada e a Jornada Pela Saúde Mental

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Cantora e Atriz Trans Abre o Coração Sobre Internações e o Desafio de Viver Com Depressão e Abuso de Substâncias

A aclamada cantora, compositora e atriz trans, Linn da Quebrada, de 34 anos, tem utilizado sua voz e plataforma para discutir abertamente sua complexa e dolorosa jornada em relação à saúde mental. Recentemente, a artista relembrou detalhes de sua primeira internação em uma comunidade terapêutica em Itu, um período crucial de três meses dedicado ao tratamento de depressão e abuso de substâncias. Essa etapa inicial, embora desafiadora e marcada por sua resistência, foi fundamental para que ela, à época, retomasse suas atividades profissionais e mantivesse a sobriedade.

No entanto, a vida de Linn, como a de tantos que enfrentam condições de saúde mental, é um caminho de altos e baixos. Ela reconhece a importância de ter uma rede de apoio que a alertou sobre a necessidade de intervenção, auxiliando-a em momentos de fragilidade psicológica e mental, quando a capacidade de tomar decisões estava comprometida. Este suporte, segundo a artista, foi e continua sendo vital.

Em março deste ano, Linn da Quebrada precisou ser novamente hospitalizada, evidenciando o agravamento de seu quadro depressivo, mais uma vez acompanhado pelo abuso de substâncias. Esta nova internação sublinha a natureza persistente e muitas vezes cíclica das doenças mentais e da dependência química, que, como Linn expressou em uma entrevista, podem ser um sintoma de “buracos imensos” e traumas profundos, não um “vazio” superficial. Ela chegou a refletir sobre a dificuldade de desagradar o outro, mesmo que isso a violente, e como a autosabotagem impacta sua saúde mental.

A vulnerabilidade inerente à exposição pública, especialmente para uma figura como Linn, que constantemente desafia normas sociais e enfrenta preconceitos como mulher trans, negra e periférica, é um fator complicador. Rumores infundados sobre sua condição, como vídeos que circularam nas redes sociais em março, foram prontamente desmentidos por sua equipe, que enfatizou a importância de verificar informações para evitar a disseminação de estigmas. A artista, por sua vez, foi transparente ao abordar a situação de vulnerabilidade e o uso abusivo de substâncias, mas negou que os vídeos a mostrassem em locais como a Cracolândia.

Ainda que a dependência seja um tema delicado, Linn tem enfatizado que a substância é um sintoma de um corpo que já está adoecido há muito tempo, um reflexo das dificuldades e traumas enfrentados. Ela destacou que o ambiente em que viveu também colaborou para o uso de drogas. Felizmente, o carinho e o apoio de fãs, amigos e da equipe têm sido um pilar em sua recuperação. Figuras como a atriz Fernanda Montenegro e a deputada Erika Hilton demonstraram publicamente sua solidariedade, ressaltando a importância de amparar e respeitar pessoas que, como Linn, são frequentemente marginalizadas e adoecem em uma sociedade que lhes nega dignidade.

A arte, para Linn da Quebrada, tem sido um porto seguro. Após as internações, ela tem se dedicado intensamente à leitura e à escrita, reconhecendo-as como parte essencial de seu processo de cura. Sua carreira, que inclui álbuns como “Pajubá” e “Trava Línguas”, e atuações em séries e filmes, como “Manhãs de Setembro” e o vindouro “Vitória” ao lado de Fernanda Montenegro, servem como um lembrete de sua resiliência e do poder transformador da expressão artística. Ela tem se sentido em uma “rede de proteção” e busca aprender a “falar o óbvio” sobre suas necessidades.

A trajetória de Linn da Quebrada ressoa como um alerta para a importância inegociável da saúde mental e do combate ao estigma. É um convite à reflexão sobre a necessidade de empatia e do acesso a redes de apoio e tratamento adequados, especialmente para populações vulneráveis.