Professora e estudante de jornalismo encantou os jurados com sua dança e consciência ancestral na 45ª edição da Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê.
A Senzala do Barro Preto, no Curuzu, foi palco de uma noite mágica e carregada de simbolismo no último sábado. Em uma disputa que celebra muito mais do que a estética, mas sim a resistência e a identidade da mulher negra, Carola Xavier foi coroada como a nova Deusa do Ébano do Ilê Aiyê para o Carnaval de 2026. Aos 28 anos, a soteropolitana superou outras 14 finalistas em uma das edições mais acirradas e emocionantes da história do concurso.
Carola não conquistou o título apenas pela beleza marcante. Professora de dança e estudante de jornalismo, ela levou para o palco uma performance que uniu técnica, ancestralidade e uma entrega emocional que arrepiou o público presente e os jurados. Para o “Mais Belo dos Belos”, a Deusa do Ébano é a figura que carrega a responsabilidade de representar a cultura do bloco e a força da mulher negra baiana durante todo o ano, especialmente no circuito do Carnaval.
Preparação e o sonho de uma vida
Para quem vê o brilho da coroa, muitas vezes não imagina a trajetória de dedicação por trás dos bastidores. Carola Xavier já vinha se preparando há anos para este momento. Ser a Rainha do Ilê é um sonho acalentado por muitas jovens da Liberdade e de toda Salvador, e para Carola, essa vitória representa a culminância de um processo de autoafirmação.
Durante suas apresentações na Noite da Beleza Negra, ela destacou a importância da educação e da comunicação como ferramentas de transformação social. Como estudante de jornalismo, ela pretende usar sua visibilidade para dar voz a pautas sobre equidade e valorização da cultura afro-brasileira.
Uma noite de festa e resistência
A 45ª edição da Noite da Beleza Negra manteve a tradição de ser um dos eventos pré-carnavalescos mais importantes da Bahia. Com o tema que reforça os laços com o continente africano e a preservação das raízes do Curuzu, a festa contou com shows que celebraram o centenário de figuras importantes e a batida inconfundível da Band’Aiyê.
O júri, composto por artistas, intelectuais e autoridades da cultura negra, avaliou critérios como a desenvoltura na dança afro, o figurino (sempre impecável e cheio de significados) e a consciência sobre o papel do Ilê Aiyê na sociedade. Carola Xavier agora sucede a rainha de 2025, assumindo o posto de destaque no alto do trio elétrico que desfila pelas ruas de Salvador, espalhando o charme e a cor que só o Ilê possui.