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A Regra Secreta de Hollywood: Por Que Vilões Nunca Usam iPhone em Filmes e Séries?

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Política da Apple para proteger sua imagem de marca dita sutilmente o comportamento de personagens nas telas, revelando até spoilers em tramas de mistério

Uma curiosidade que há anos circula nos bastidores de Hollywood e entre fãs de cinema e séries foi oficialmente confirmada e desvendada: a Apple possui uma política estrita que não permite que vilões utilizem iPhones – e, por extensão, outros produtos da marca – em produções audiovisuais. Essa diretriz, longe de ser um mero capricho, é uma sofisticada estratégia de controle de imagem de marca que tem implicações sutis, mas significativas, na narrativa das obras.

A confirmação mais notável dessa “regra” veio do diretor Rian Johnson, conhecido por filmes como “Entre Facas e Segredos” (Knives Out, 2019). Em uma entrevista sobre seu filme de mistério, Johnson revelou que a Apple permite o uso de seus produtos, mas com uma condição clara: os antagonistas não podem ser vistos com iPhones em cena. Essa informação se tornou um divertido “spoiler” em potencial para tramas de suspense, já que a presença ou ausência de um iPhone em uma mão pode dar uma pista crucial sobre a índole de um personagem.

A lógica por trás dessa política é puramente estratégica de branding. A Apple investe pesadamente em construir uma imagem associada a valores como inovação, criatividade, sofisticação e, sobretudo, positividade. Seus produtos são aspiracionais, e a empresa busca associá-los a heróis, protagonistas e personagens que encarnam qualidades admiráveis. Permitir que vilões ou figuras moralmente ambíguas utilizem seus dispositivos poderia, na visão da empresa, criar uma associação negativa, maculando essa imagem cuidadosamente construída.

Diversos exemplos em filmes e séries de sucesso reforçam essa regra. Observadores atentos já notaram que, enquanto personagens heroicos ou “do bem” frequentemente aparecem com iPhones, os antagonistas tendem a usar telefones de outras marcas, modelos mais antigos, ou “celulares descartáveis” (burner phones). Isso foi perceptível em produções como a série “24 Horas” e, mais recentemente, em “Ginny & Georgia”, onde a escolha do aparelho celular por personagens que geram desconfiança segue essa linha.

No entanto, há nuances e exceções a essa regra. Em produções originais da Apple TV+, a plataforma de streaming da própria empresa, essa restrição parece não se aplicar. Nesses casos, todos os personagens, independentemente de sua moralidade, podem ser vistos usando produtos Apple, indicando uma estratégia de marketing interno diferente daquela para produções externas. Além disso, em produções brasileiras, a liberdade na escolha de adereços tende a ser maior, e a regra da Apple pode não ser tão estritamente seguida, com a decisão muitas vezes ficando a cargo da equipe de produção. Historicamente, antes que essa política fosse tão consolidada, houve casos pontuais em que vilões foram retratados com produtos Apple, mas eram geralmente produtos de outras eras (como laptops antigos) e não iPhones.

A política da Apple, embora não envolva pagamento direto por product placement na maioria das vezes – a empresa costuma fornecer os dispositivos gratuitamente em troca do controle sobre seu uso –, demonstra o poder das marcas em ditar como seus produtos são representados na cultura pop. Para cineastas e roteiristas, essa peculiaridade se tornou um elemento a ser considerado, adicionando uma camada extra de sutileza, e por vezes de ironia, à construção de seus personagens e tramas.