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Adeus a Um Ícone: Francisco Cuoco, o Eteno Galã da Televisão Brasileira, Morre aos 91 Anos

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Ator, que marcou gerações com personagens inesquecíveis, deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas à arte

SÃO PAULO, SP – O Brasil se despede de um de seus maiores e mais queridos atores. Francisco Cuoco, o eterno galã das telenovelas brasileiras, faleceu nesta quarta-feira (19), aos 91 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A causa da morte, confirmada pela família do artista, foi falência múltipla dos órgãos, decorrente de problemas de saúde associados à sua idade avançada. A notícia gerou grande comoção entre fãs, colegas de profissão e o público em geral, que acompanhou sua trajetória singular por mais de seis décadas.

Nascido em 29 de novembro de 1933, no tradicional bairro do Brás, em São Paulo, Francisco Cuoco era filho do vendedor italiano Leopoldo Cuoco e da dona de casa Antonieta. Sua paixão pelas artes não veio de berço, mas sim de uma inspiração inusitada: o circo que se instalava em frente à sua casa na infância. Antes de se render completamente ao palco e às telas, Cuoco chegou a cursar Contabilidade e trabalhou em diversas profissões, demonstrando a versatilidade e a dedicação que marcariam toda a sua vida.

Do Teatro à Consolidação na Televisão

A carreira artística de Francisco Cuoco teve início no teatro, na década de 1950, onde sua presença marcante e talento logo chamaram a atenção. Ele fez parte do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), uma das mais importantes companhias teatrais do país. Em 1961, estreou na televisão pela TV Tupi, mas foi na TV Excelsior e, posteriormente, na TV Record, que ele começou a construir seu nome no cenário audiovisual, participando de teleteatros e suas primeiras telenovelas.

A virada definitiva em sua carreira aconteceu em 1968, quando se transferiu para a TV Globo, onde se tornaria um dos rostos mais reconhecidos e amados da teledramaturgia nacional. Sua capacidade de transitar entre personagens românticos, complexos e até mesmo controversos o estabeleceu como um ator de imensa credibilidade e versatilidade.

O Galã Inesquecível de Papéis Marcantes

Francisco Cuoco imortalizou uma galeria de personagens que se tornaram ícones na memória afetiva do público brasileiro. Ele foi o protagonista de clássicos que pararam o país, consolidando-se como o “galã das oito”. Entre seus papéis mais célebres, destacam-se:

  • Cristian em “Anastácia, a Mulher sem Destino” (TV Tupi, 1967): Um dos primeiros grandes sucessos que o alçou ao estrelato.
  • Alberto em “Grande Mentira” (Globo, 1968): Sua estreia na TV Globo.
  • Cristiano Vilhena em “Bandeira 2” (Globo, 1971): Um personagem de forte impacto.
  • Carlão em “Pecado Capital” (Globo, 1975): O motorista de táxi que ganha na loteria, um dos maiores sucessos de sua carreira.
  • Caio em “Selva de Pedra” (Globo, 1972): Ao lado de Regina Duarte, protagonizou um dos maiores fenômenos da história das telenovelas.
  • Herculano Quintanilha em “O Astro” (Globo, 1977): O mágico charmoso e misterioso que viveu um grande amor com Amanda (Dina Sfat), uma de suas atuações mais aplaudidas, rendendo um remake em 2011 onde fez uma participação especial como o “pai” de Herculano.

Sua presença era sinônimo de sucesso e qualidade. Cuoco tinha a habilidade única de conferir humanidade e profundidade a seus personagens, tornando-os críveis e cativantes. Ele trabalhou com os maiores autores e diretores da televisão brasileira, contribuindo decisivamente para a formação e o amadurecimento do gênero telenovela no país.

Mesmo com o passar dos anos, Francisco Cuoco manteve-se ativo na televisão, cinema e teatro, sempre demonstrando paixão pela arte de atuar. Sua última aparição na TV Globo foi em 2018, em “Segundo Sol”, mostrando que, mesmo octogenário, sua presença em cena era sempre relevante.

A despedida de Francisco Cuoco será em uma cerimônia aberta ao público nesta sexta-feira (20), na Funeral Home, em São Paulo, para que fãs e amigos possam prestar suas últimas homenagens. O sepultamento, no entanto, será restrito a familiares e amigos próximos, um último momento de intimidade para um artista que dedicou sua vida a compartilhar emoções com milhões de brasileiros. Seu legado permanecerá vivo na memória e na história da teledramaturgia nacional.