Licenças médicas por transtornos mentais crescendo 68% em um ano, totalizando quase meio milhão de casos
O Brasil registrou, em 2024, o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais dos últimos dez anos. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, foram concedidas 472.328 licenças médicas relacionadas a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, representando um aumento de 68% em relação ao ano anterior.
Este crescimento expressivo tem preocupado especialistas, que apontam para uma “quarta onda” da pandemia de COVID-19, descrições pelas sequelas emocionais deixadas pelo período pandêmico. Fatores como luto, estresse emocional, insegurança financeira e aumento da informalidade no mercado de trabalho são relatados como possíveis causas para o aumento dos casos de transtornos mentais.
Dados do Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho indicam que, em 2021, os transtornos mentais já ocupavam a terceira posição entre as principais causas de afastamento laboral no país. Mais de 13 milhões de brasileiros receberam benefícios previdenciários devido a problemas de saúde mental naquele ano.
A tendência de aumento nos afastamentos por transtornos mentais já vinha sendo observada nos anos anteriores. Entre 2015 e 2020, houve um crescimento de mais de 50% nos afastamentos por esses motivos, passando de 8,43% para 12,45% do total de diagnósticos registrados.
Em 2023, os transtornos de ansiedade subiram para a terceira posição entre as principais causas de afastamento no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atrás apenas de dorsalgias (dores nas costas) e outros transtornos de discos intervertebrais. O número de afastamentos por ansiedade aumentou de 49.481 em 2021 para 80.516 em 2023.
Os especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas específicas e investimentos em programas de prevenção e tratamento de transtornos mentais, que mitigam os impactos na saúde dos trabalhadores e na economia do país.