O filme brasileiro “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, conquistou o prêmio de melhor roteiro no renomado Festival de Veneza 2024. A obra, inspirada no livro de Marcelo Rubens Paiva, narra a trajetória de Eunice Paiva, que busca reconstruir sua vida após o desaparecimento de seu marido durante a ditadura militar. Com um roteiro assinado por Murilo Hauser e Heitor Lorega, o filme impressionou a crítica e recebeu 10 minutos de aplausos durante sua exibição.
Um drama emocionante e poderoso
“Ainda estou aqui” mergulha em um dos períodos mais sombrios da história brasileira, trazendo à tona questões como a ditadura militar e o desaparecimento de opositores políticos. O enredo foca na história de Eunice Paiva, uma mãe que enfrenta a maior tragédia de sua vida: a perda de seu marido, o deputado Rubens Paiva. Sem respostas sobre seu paradeiro, Eunice se vê obrigada a reconstruir sua vida e a de seus cinco filhos. Na busca por justiça, a personagem, interpretada por Fernanda Torres, precisa se reinventar e se transforma em advogada, tornando-se uma peça-chave na luta pela democracia.
O roteiro, premiado com o Golden Osella no Festival de Veneza, equilibra sensibilidade e força ao contar a história de uma mulher comum que, diante de circunstâncias extremas, se reinventa para lutar pela memória de seu marido e pela reconstrução de seu país. A atuação de Fernanda Torres foi amplamente elogiada, com a imprensa internacional sugerindo sua possível indicação ao Oscar de Melhor Atriz.
Um filme com impacto internacional
A recepção calorosa ao filme durante o festival incluiu uma rara homenagem: 10 minutos de aplausos ininterruptos para os atores e a equipe. Essa reação destacou a profundidade do impacto emocional causado pela narrativa e pelas atuações. A trama, além de remeter a questões históricas do Brasil, também traz reflexões sobre a memória e a importância de não esquecer os erros do passado. O título, “Ainda estou aqui”, faz uma alusão direta à personagem de Eunice, que mesmo idosa e com sinais de demência, resiste à perda de sua identidade e história.
Além de Fernanda Torres, o elenco conta com a presença de grandes nomes do cinema brasileiro, como Fernanda Montenegro e Selton Mello, que também tiveram suas performances amplamente elogiadas. O filme está previsto para estrear no Brasil entre novembro e dezembro de 2024, gerando grande expectativa não apenas no país, mas também em circuitos internacionais, já que o longa pode ser um forte concorrente nas próximas premiações cinematográficas, incluindo o Oscar.
Uma homenagem à luta pela democracia
Fernanda Torres, em entrevistas durante o festival, destacou o significado profundo do filme, descrevendo-o como uma “síntese da história do Brasil atual”. Para a atriz, a trajetória de Eunice Paiva reflete a de tantas outras mulheres que tiveram suas vidas transformadas pelo regime militar, mas que encontraram forças para resistir e lutar por justiça e liberdade. A obra, segundo ela, carrega uma mensagem poderosa sobre resiliência e a importância de manter viva a memória de eventos que moldaram o país.
Com direção precisa de Walter Salles e um roteiro que equilibra emoção e história, “Ainda estou aqui” já se posiciona como uma das grandes produções do ano, representando o Brasil no cenário cinematográfico mundial. A vitória no Festival de Veneza não apenas consagra o filme, mas também reforça a relevância de histórias como a de Eunice, que ressoam profundamente não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Heitor Lorega e Murilo Hause ganharam o troféu de “Melhor Roteiro” pelo filme “Ainda estou aqui”, no Festival de Cinema de Veneza. Foto: @waltersalles
Foto capa: Divulgação/@waltersalles