O aumento de casos acende um sinal amarelo para tutores; entenda como prevenir a transmissão, identificar os sintomas e garantir o tratamento correto para os animais.
O início de 2026 traz um alerta importante para quem tem gatos em casa ou atua na proteção animal. O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) emitiu um comunicado reforçando a necessidade de atenção redobrada com a esporotricose. Muitas vezes confundida com simples feridas de briga, essa doença é causada por fungos do gênero Sporothrix, que vivem naturalmente na terra, em vegetais e em madeiras em decomposição.
O que preocupa as autoridades de saúde é o fato de a esporotricose ser uma zoonose, ou seja, uma doença que passa dos animais para os seres humanos. Embora o gato seja a principal vítima e o maior transmissor na área urbana, os veterinários fazem questão de lembrar: o bichano não é o culpado, ele é tão vítima quanto nós e precisa de tratamento, jamais de abandono.
Como a doença se espalha? Nos felinos, a transmissão acontece geralmente por meio de brigas, arranhões ou mordidas de um animal que já está infectado. Como os gatos têm o hábito de enterrar as fezes e arranhar troncos, o fungo acaba se instalando nas garras. Já para os humanos, o contágio ocorre quando o fungo entra na pele através de um ferimento — seja por um arranhão do gato ou até mesmo ao manusear terra e plantas sem luvas.
Sintomas para ficar de olho No gato, o sinal mais clássico são as feridas profundas na pele, que geralmente começam no focinho, nas orelhas ou nas patas. O grande diferencial é que essas feridas não cicatrizam com pomadas comuns e costumam evoluir rapidamente, espalhando-se pelo corpo. O animal também pode apresentar espirros frequentes e perda de apetite.
Nos humanos, a doença costuma aparecer como um carocinho ou uma pequena ferida que vai aumentando e pode seguir o trajeto dos vasos linfáticos, formando uma “fileira” de feridas no braço ou na perna.
Prevenção e tratamento: Há cura! A boa notícia é que a esporotricose tem cura tanto para o gato quanto para o dono, mas o tratamento é longo e exige paciência, durando de alguns meses a quase um ano. É fundamental usar medicamentos antifúngicos prescritos por um profissional. Jamais interrompa o tratamento antes da hora, mesmo que a ferida pareça curada, pois o fungo pode voltar ainda mais forte.
Para prevenir, o Conselho recomenda:
- Castração: Gatos castrados saem menos de casa e brigam menos, reduzindo drasticamente o risco de contágio.
- Telas de proteção: Manter o gato dentro de casa é a forma mais segura de protegê-lo.
- Higiene: Ao cuidar de feridas de animais suspeitos ou mexer em jardins, use sempre luvas de borracha.
- Destino correto: Se um animal morrer com suspeita da doença, ele não deve ser enterrado, mas sim cremado. Enterrar o corpo mantém o fungo vivo no solo, continuando o ciclo de infecção.
Ao notar qualquer ferida suspeita no seu pet, procure um médico-veterinário imediatamente. O diagnóstico precoce salva a vida do animal e protege toda a sua família.