Crescimento no uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro acende sinal amarelo; agência reforça a importância de acompanhamento médico e riscos de produtos falsificados.
O desejo pelo emagrecimento rápido tem levado muitos brasileiros a buscarem as famosas “canetas emagrecedoras”. No entanto, o que parece ser uma solução milagrosa pode esconder perigos graves. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que está investigando 65 mortes suspeitas que podem ter relação com o uso desses medicamentos nos últimos sete anos.
As investigações focam em substâncias como a semaglutida (presente no Ozempic e Wegovy), a liraglutida (Saxenda) e a tirzepatida (Mounjaro). Embora esses remédios sejam aprovados e considerados seguros quando usados corretamente, o aumento no número de notificações de eventos adversos graves preocupa as autoridades de saúde.
O risco mora no uso sem controle
Um dos principais problemas apontados por especialistas é o uso “off-label” — quando alguém que não tem obesidade ou diabetes utiliza o remédio apenas para fins estéticos, sem qualquer orientação médica. Nesses casos, o corpo pode reagir de forma agressiva.
Entre as complicações mais sérias sob investigação está a pancreatite aguda (uma inflamação grave no pâncreas). A Anvisa já emitiu alertas reforçando que sintomas como dores abdominais intensas, náuseas e vômitos persistentes devem ser levados a sério e comunicados imediatamente a um médico.
Cuidado com o mercado paralelo
Além dos efeitos colaterais, há outro vilão: o mercado ilegal. Com a alta demanda e os preços elevados, muitas pessoas acabam comprando “canetas” em sites duvidosos ou de fontes não confiáveis. A Anvisa já proibiu e determinou a apreensão de lotes irregulares de substâncias como a Tirzepatida de marcas não registradas (Synedica e TG) e a Retatrutida, que nem sequer tem autorização para ser vendida no Brasil.
Esses produtos falsificados ou contrabandeados podem conter dosagens erradas ou substâncias tóxicas, aumentando drasticamente o risco de morte.
O que dizem os médicos
Endocrinologistas reforçam que a obesidade é uma doença crônica e o tratamento com as canetas pode, sim, ser um aliado, mas não é para todo mundo. O acompanhamento é essencial para monitorar como o organismo reage e para garantir que o paciente não recupere todo o peso (o famoso efeito sanfona) ao interromper o uso de forma abrupta.
A mensagem é clara: a saúde deve vir antes da estética. Antes de iniciar qualquer tratamento injetável, consulte um profissional de confiança e fuja de ofertas “milagrosas” na internet.