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Alerta nacional: país registra 113 casos de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF
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Casos foram notificados em cinco estados e no Distrito Federal; São Paulo concentra a maioria. Especialistas explicam como o metanol age no corpo e o que fazer em casos suspeitos.

Nos últimos dias, um grave surto de intoxicação por metanol desencadeou alerta nas autoridades de saúde brasileiras. Segundo dados oficiais, até 3 de outubro de 2025, já foram registradas 113 notificações de suspeita de intoxicação por ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas — sendo 11 casos confirmados e 102 em investigação.

Onde os casos estão concentrados

São Paulo lidera com folga: 101 notificações, das quais 11 confirmadas e 90 em investigação. Há também suspeitas em Pernambuco (6), Bahia (2), Distrito Federal (2), Paraná (1) e Mato Grosso do Sul (1). Do total, 12 mortes foram informadas — uma confirmada e 11 sob apuração.

Há relatos de que distribuidores e falsificadores estariam empregando “galpões” com montanhas de garrafas para envasar bebidas adulteradas, misturando metanol para economizar custos ou disfarçar fórmulas. Em São Bernardo do Campo (SP), um hospital abriu protocolo de morte cerebral em um jovem — internado após beber vodca suspeita.

Por que o metanol é tão perigoso

O metanol (álcool metílico) não é uma substância consumida como bebida — quando entra no corpo, é transformado no fígado em formaldeído e em ácido fórmico, que são extremamente tóxicos. Essas substâncias podem causar lesões no sistema nervoso, danos irreversíveis à visão e mesmo levar à morte.

Os sintomas podem surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão e incluem:

  • Alterações visuais (visão turva ou perda parcial de visão)
  • Náuseas e vômitos
  • Dor abdominal
  • Confusão mental
  • Sudorese excessiva

Se não for tratada a tempo, a intoxicação pode progredir para convulsões, coma e morte.

O que o governo está fazendo

O Ministério da Saúde montou uma Sala de Situação para monitorar o caso e articular a resposta nacional, em parceria com estados e municípios.

Foram providenciadas até agora 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico (antídoto que “disputa” o metabolismo no organismo para reduzir os efeitos tóxicos do metanol) e comprado o equivalente a mais 5 mil tratamentos (150 mil ampolas) para garantir o estoque no SUS.

Além disso, o governo requisitou o fomepizol, outro antídoto eficaz utilizado internacionalmente, mas pouco disponível no Brasil. Protocolos foram acionados para buscar doações e compras junto à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e fornecedores internacionais.

Para ampliar o diagnóstico, laboratórios centrais estão prontos para realizar testes e a Anvisa identificou farmácias de manipulação aptas a produzir etanol farmacêutico em capitais.

Como se prevenir

  • Verifique sempre a procedência da bebida: prefira produtos com rótulo claro, lacre de segurança, CNPJ visível e nota fiscal.
  • Evite consumir bebidas alcoólicas “baratas demais” ou de origem duvidosa — especialmente vodca, gin e outros destilados claros.
  • Evite aceitar doses de origem desconhecida em bares ou festas.
  • Se você beber, mantenha-se bem alimentado e hidratado.
  • Caso apresente sintomas como visão turva, dor abdominal ou vômitos após ingestão alcoólica, procure atendimento médico imediatamente e informe ao profissional a suspeita de metanol.

Panorama histórico e contexto

Embora casos esporádicos de intoxicação por metanol já tenham ocorrido no Brasil, o surto de 2025 tem intensidade inédito. Em 1999, por exemplo, dezenas de pessoas morreram ao consumir cachaças adulteradas com metanol no estado da Bahia.

Esse incidente reforça a necessidade de políticas rígidas de fiscalização e combate à falsificação de bebidas alcoólicas — crimes que colocam em risco a saúde pública. Já há discussões para tornar a adulteração de bebidas crime hediondo, em tramitação no Congresso.