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Alerta no Emagrecimento: Estudo Revela que 82% dos Usuários de Mounjaro Recuperam Peso Após o Fim do Tratamento

Foto: CR/iStock
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Pesquisa destaca que a obesidade é uma doença crônica e que a suspensão da tirzepatida leva à perda rápida não só dos quilos eliminados, mas também de benefícios vitais para a saúde cardiovascular.

O medicamento Mounjaro (cujo princípio ativo é a tirzepatida), aprovado tanto para o tratamento do Diabetes Mellitus Tipo 2 quanto para a obesidade, tem sido aclamado por sua notável eficácia na perda de peso, superando até mesmo tratamentos similares. Contudo, um estudo recente acende um sinal de alerta importante para a comunidade médica e para os pacientes: a interrupção do uso da medicação está associada a um reganho de peso significativo para a maioria dos indivíduos.

Um trabalho de acompanhamento publicado na prestigiada revista JAMA Internal Medicine revelou que a grande maioria dos participantes (impressionantes 82%) que haviam perdido peso com o Mounjaro recuperou pelo menos 25% do peso total eliminado no período de um ano após pararem de tomar a injeção semanal. Mais chocante ainda, apenas 4% dos participantes que suspenderam o medicamento e seguiram apenas com as mudanças de estilo de vida conseguiram manter a perda de peso ou continuar emagrecendo.

O Mito do Tratamento Temporário

O estudo reforça uma perspectiva crucial: a obesidade é, de fato, uma doença crônica e, por isso, seu tratamento deve ser pensado a longo prazo, e não como uma solução temporária. Durante o processo de emagrecimento, o corpo sofre adaptações fisiológicas complexas — como mudanças hormonais e metabólicas — que o fazem lutar para recuperar o peso perdido. Ao suspender o Mounjaro, esses mecanismos de compensação são ativados sem a ajuda do medicamento, tornando o reganho de peso quase inevitável para a maioria.

O Mounjaro, uma terapia de dupla ação (agonista dos receptores GLP-1 e GIP), funciona de várias maneiras: estimula a produção de insulina, reduz a glicose produzida pelo fígado e, principalmente, aumenta a sensação de saciedade e reduz o esvaziamento gástrico. Com isso, os pacientes chegam a perder, em média, cerca de 20% do peso corporal em aproximadamente 72 semanas de uso.

Além do Peso: a Perda dos Benefícios Cardiovasculares

As consequências da interrupção do tratamento vão muito além da estética e da balança. O estudo mostrou que, ao recuperar o peso, os pacientes também perdem os importantes benefícios cardiometabólicos conquistados durante o tratamento.

Enquanto estavam em uso da medicação, pacientes com diabetes tipo 2 apresentaram uma redução notável no risco de eventos cardiovasculares adversos graves, como infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral), e melhorias significativas na pressão arterial, nos níveis de lipídios e na regulação da glicose. Com o reganho de peso, esses marcadores de saúde tendem a se reverter rapidamente. Médicos alertam que o aumento da pressão arterial após o reganho eleva o risco cardiovascular de forma perigosa.

A Abordagem Certa é Crônica e Combinada

A conclusão dos especialistas é clara: a intervenção no estilo de vida (dieta saudável e exercícios físicos) é fundamental, mas raramente é suficiente para compensar sozinha as adaptações fisiológicas que o corpo faz após uma perda de peso tão expressiva.

O tratamento moderno da obesidade exige uma abordagem multifatorial e crônica. O Mounjaro (tirzepatida) e outros medicamentos de sua classe (como a semaglutida, presente no Ozempic e Wegovy) devem ser vistos como terapias de longo prazo para gerenciar uma doença crônica. É crucial que o paciente e o médico conversem sobre estratégias de manutenção antes da interrupção, combinando o acompanhamento médico contínuo com estratégias robustas e personalizadas de estilo de vida, para maximizar as chances de manter os resultados alcançados.