Treinador é investigado por sonegação de direitos de imagem em 2014; pena inclui multa, mas cumprimento em regime fechado é improvável sob a lei espanhola
O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, foi condenado nesta quarta-feira (9) pela Audiência Provincial de Madri a um ano de prisão por fraude fiscal, relacionada a direitos de imagem não declarados em 2014, quando comandava o Real Madrid. Além disso, o treinador foi condenado a pagar uma multa de aproximadamente 386 mil euros (cerca de R$ 2,5 milhões) e está proibido durante três anos de receber subsídios ou benefícios fiscais na Espanha.
No processo, Ancelotti foi absolvido da acusação referente a 2015 — não foi comprovado que ele residia há pelo menos 183 dias em território espanhol naquele ano. Segundo o tribunal, a sonegação ocorreu por meio de empresas offshore no Reino Unido e nas Ilhas Virgens, usadas para ocultar rendimentos de imagem sem justificativa econômica plausível .
A legislação espanhola permite que penas abaixo de dois anos por crimes não violentos sejam suspensas para réus sem antecedentes . Além disso, Ancelotti já teria quitado parcialmente a dívida — com o Real Madrid fazendo um depósito em dezembro de 2021 — fato considerado como reparação do dano. Por isso, as penalidades previstas devem ser alternativas, como multa, restrições administrativas ou trabalho comunitário, sem necessidade de prisão ou afastamento da Seleção.
- Ancelotti não deve deixar o cargo na Seleção, seguindo em suas funções no Brasil.
- Ainda cabem recursos junto ao Tribunal Supremo espanhol e, eventualmente, ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.
- O treinador soma-se a nomes como Messi, Cristiano Ronaldo e Mourinho, que também enfrentaram condenações por questões fiscais na Espanha.
Com amplo histórico de vitórias — cinco Ligas dos Campeões, títulos nacionais em cinco países e agora à frente do Brasil —, Ancelotti mantém reputação forte como técnico. Apesar da condenação, a combinação de legislação favorável, reparação financeira e ausência de antecedentes indica que não será afastado ou preso. Ressalta-se que a decisão ainda não é definitiva, podendo sofrer alterações por meio de apelações .