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Anvisa aprova novo tratamento oral para tumor cerebral: esperança renovada para pacientes jovens

crédito: Marcelo Camargo Agência Brasil
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O Voranigo®, comprimido diário que inibe mutações específicas, chega como alternativa para gliomas de baixo grau — marcando o maior avanço no tratamento desses tumores nos últimos 20 anos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o registro do Voranigo® (vorasidenibe), um medicamento em comprimido de uso diário desenvolvido pela farmacêutica Servier, direcionado ao tratamento de um tipo específico de câncer cerebral. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 11 de agosto de 2025.

O novo fármaco é indicado para pacientes com gliomas difusos de baixo grau (grau 2) — como astrocitomas e oligodendrogliomas — que apresentam mutações nas enzimas IDH1 ou IDH2, e que já passaram por cirurgia, mas ainda não têm indicação de radioterapia ou quimioterapia. Estes tumores, comuns entre crianças, adolescentes e adultos jovens, podem evoluir de forma agressiva ao longo do tempo.

O Vorasidenibe age bloqueando as enzimas mutadas IDH1 e IDH2, que produzem substâncias que estimulam o crescimento das células tumorais. Segundo o oncologista Fernando Maluf, trata-se do maior avanço no tratamento dos gliomas em duas décadas. Ele destaca que a novidade pode evitar cirurgias, radioterapias ou quimioterapias em casos que ainda não exigem intervenções mais agressivas, com boa tolerabilidade pelos pacientes.

A aprovação foi respaldada pelos resultados do ensaio clínico INDIGO, que demonstrou uma redução de 61% no risco de progressão da doença, além de atraso no crescimento do tumor e diminuição do seu volume — contribuindo para prolongar o tempo sem progressão e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Essa decisão segue o exemplo de outras agências reguladoras, como o FDA dos Estados Unidos, que já havia liberado o medicamento em 2024. Agora, no Brasil, médicos poderão prescrever o Voranigo®, que não requer importação direta, trazendo mais acessibilidade aos pacientes.

Além de representar uma evolução na oncologia cerebral, a aprovação do Voranigo® abre caminho para que planos de saúde cubram o tratamento mediante prescrição médica, conforme legislação vigente. Mesmo que o custo ainda esteja em avaliação — com estimativas internacionais apontando entre R$ 50 mil e R$ 100 mil mensais — a expectativa é de que a Anvisa e reguladores estabeleçam um valor mais acessível.

No contexto brasileiro, onde os tumores do sistema nervoso central representam uma parcela pequena, mas impactante dos diagnósticos de câncer, especialmente entre os jovens, esse avanço renova a esperança de tratamentos menos invasivos e mais eficientes