Ampliação do prazo de eficácia representa avanço importante no acesso a métodos contraceptivos de longa duração e reforça segurança do dispositivo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma importante atualização no uso do dispositivo intrauterino hormonal (DIU), ampliando oficialmente o tempo de eficácia do modelo Mirena, um dos mais utilizados no Brasil, de 5 para até 8 anos para fins de contracepção. A decisão segue estudos científicos recentes que comprovaram a segurança e a eficácia prolongada do método, alinhando o Brasil às diretrizes já adotadas por outros países como Estados Unidos e Canadá.
O DIU Mirena é um dispositivo em formato de “T”, inserido no útero, que libera gradualmente o hormônio levonorgestrel, o que ajuda a impedir a gravidez ao tornar o muco cervical mais espesso e dificultar a movimentação dos espermatozoides. Até então, sua eficácia era oficialmente reconhecida por 5 anos. Com a nova recomendação, ele poderá ser mantido no organismo por até 8 anos, sem necessidade de substituição nesse período.
A decisão da Anvisa se baseia em uma revisão de dados clínicos conduzidos pelo laboratório Bayer, fabricante do Mirena, e respaldados por evidências internacionais. Estudos demonstraram que, mesmo após os cinco anos iniciais, o DIU continua eficaz como método contraceptivo, sem aumento significativo de falhas ou riscos à saúde da paciente.
A ampliação do prazo tem impacto direto na saúde reprodutiva e no planejamento familiar, principalmente no que se refere ao acesso à contracepção segura, de longa duração e com menor custo ao longo do tempo. “Essa medida aumenta a autonomia das mulheres e reduz a necessidade de procedimentos médicos frequentes para troca do dispositivo”, explica a ginecologista e obstetra Mariana Rosário, em entrevista à CNN Brasil.
Além de sua função contraceptiva, o DIU hormonal é também utilizado para tratamento de condições ginecológicas, como endometriose, miomas e sangramentos uterinos anormais, o que amplia ainda mais a importância da nova recomendação. A medida também favorece políticas públicas de saúde e pode reduzir a pressão sobre serviços ginecológicos, uma vez que as trocas do dispositivo passam a ser menos frequentes.
Vale destacar que a aprovação se refere exclusivamente ao uso para contracepção. A validade de 8 anos ainda não se aplica ao uso do dispositivo para controle de outras condições ginecológicas, que seguem sendo avaliadas de forma específica pelos profissionais de saúde.
Com a atualização, profissionais da área já podem orientar pacientes a manter o DIU Mirena por mais tempo, desde que estejam em acompanhamento médico regular. A mudança representa um marco na contracepção no país, oferecendo mais tranquilidade, autonomia e segurança às mulheres brasileiras.