Marcas Melissa, Pingo Preto e Oficial são retiradas do mercado após detecção de toxina ocratoxina A e impurezas, levantando preocupações sobre a qualidade dos produtos e a vigilância sanitária no setor cafeeiro brasileiro.
Salvador, Bahia – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta grave aos consumidores brasileiros ao proibir a comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso de três marcas de “pó para preparo de bebida sabor café”: Melissa, Pingo Preto e Oficial. A decisão, publicada em 2 de junho de 2025, decorre de análises laboratoriais que revelaram a presença de substâncias prejudiciais à saúde humana e a adulteração na composição desses produtos.
As investigações da Anvisa, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), constataram a presença da toxina ocratoxina A em níveis impróprios para consumo humano. A ocratoxina A é uma micotoxina perigosa, produzida por fungos como Aspergillus ochraceus e Penicillium verrucosum, e pode ter efeitos devastadores na saúde. Estudos indicam que a exposição a essa toxina está associada a danos renais severos (nefropatia), podendo ser imunossupressora, cancerígena, teratogênica (causar malformações) e até neurotóxica. Os sintomas da contaminação podem incluir letargia, diarreia e tremores, e, em níveis mais elevados, pode levar a problemas mais graves e até fatais.
Além da presença da ocratoxina A, as análises revelaram a existência de uma série de impurezas e materiais estranhos nos produtos, como cascas, paus, pedras, areia, sementes e galhos – popularmente classificados como “lixo da lavoura”. A legislação brasileira permite um limite máximo de 1% de impurezas no café torrado e moído; a superação desse patamar desclassifica o produto para consumo.
Outra irregularidade grave identificada foi a fraude na rotulagem. As embalagens apresentavam informações que induziam o consumidor ao erro, sugerindo tratar-se de café torrado e moído ou polpa de café, quando, na verdade, os produtos eram compostos majoritariamente por grãos crus de café arábica apenas torrados ou, em alguns casos, nem sequer continham café em sua composição principal, sendo classificados como “bebidas sabor café”, uma tentativa de mascarar a adulteração. As empresas Master Blends Indústria de Alimentos Ltda. (Master Blends), D M Alimentos Ltda. (Melissa) e Jurerê Caffe Comércio de Alimentos Ltda. (Pingo Preto) foram notificadas sobre a decisão.
A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) tem atuado ativamente no combate às fraudes, denunciando produtos suspeitos e orientando os consumidores. Para evitar a compra de “café fake”, a Abic e as autoridades de saúde recomendam desconfiar de preços muito abaixo da média de mercado, verificar se a descrição “café torrado e moído” está presente e ler a lista de ingredientes – o café puro deve conter apenas grãos de café. A presença de cevada, milho, aromatizantes ou outros elementos genéricos no rótulo pode ser um indicativo de adulteração.
A Anvisa determinou o recolhimento imediato de todos os lotes dos produtos das marcas Melissa, Pingo Preto e Oficial. Consumidores que tenham adquirido esses cafés devem interromper o consumo imediatamente e podem solicitar a substituição do produto junto ao local de compra, com base nas disposições do Código de Defesa do Consumidor. A medida reforça o compromisso das autoridades sanitárias em garantir a segurança e a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.