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Avanço no tratamento do Alzheimer: novo remédio chega ao Brasil

Foto: Eli Lilly/Divulgação
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Medicamento inovador aprovado pela Anvisa em 2025, o donanemabe (marca Kisunla) estreará em unidades privadas de São Paulo e Rio com promessa de retardar a progressão da doença.

No dia 24 de abril de 2025, a Anvisa aprovou o donanemabe, medicamento inédito no Brasil para tratamento da doença de Alzheimer em seus estágios iniciais, direcionado a pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve e confirmação de acúmulo de proteína beta-amiloide no cérebro. Comercializado sob o nome Kisunla, o remédio é da farmacêutica Eli Lilly.

A estratégia terapêutica do donanemabe se diferencia dos tratamentos convencionais — como donepezila, rivastigmina e memantina — pois atua diretamente na fisiopatologia da doença: ele é um anticorpo monoclonal que reduz as placas de beta-amiloide, considerada um dos principais marcadores que levam à perda cognitiva.

Os ensaios clínicos, como o TRAILBLAZER-ALZ 2, envolveram 1.736 pacientes de oito países. Depois de até 18 meses de tratamento, houve uma redução de até 35% na progressão da doença, com atraso médio de 4,4 meses no declínio cognitivo e menor risco de evolução para fases mais avançadas.

No Brasil, o tratamento será oferecido inicialmente em unidades da Alta Diagnósticos, em São Paulo e Rio de Janeiro, com infusões intravenosas mensais que duram cerca de 30 minutos, seguidas de observação médica. Cada mês de tratamento custa em torno de R$ 8.000, incluindo medicação, equipe médica e aplicação. Ao custo do sistema privado, seis meses podem chegar a US$ 12.522 (aproximadamente R$ 60–70 mil), e 12 meses podem alcançar US$ 32.000 (cerca de R$ 180 mil).

Embora o medicamento represente um avanço significativo, ele exige cautela. É contraindicada sua aplicação em pacientes com histórico de doenças cerebrovasculares, uso de anticoagulantes ou que apresentem duas cópias do gene ApoE ε4, devido ao risco maior de efeitos adversos como edema cerebral e micro-hemorragias (detalhadas como ARIA-E). Os efeitos colaterais mais comuns incluem dores de cabeça, reações no local da infusão, febre ou sintomas similares aos da gripe.

Expertos nacionais ressaltam que o surgimento desse imunoterápico marca um passo além das terapias sintomáticas tradicionais. Ele traz foco ao diagnóstico precoce e à necessidade de monitoramento rigoroso com ressonância magnética em cada etapa.

Embora representativo, esse avanço ainda não está disponível pelo SUS nem está previsto na cobertura obrigatória por planos de saúde. O tratamento ainda ficará restrito a clínicas particulares em grandes centros — e até o momento não existe previsão de integração no sistema público.

Em paralelo, o Brasil enfrenta um cenário de crescente prevalência de Alzheimer. Estudo nacional revelou que os óbitos da doença aumentaram em todas as faixas etárias a partir de 2000 até 2019, especialmente entre idosos acima de 80 anos e nas regiões Norte e Nordeste, onde as taxas de mortalidade subiram mais rapidamente por avanço no diagnóstico.

Em resumo, o donanemabe chega como uma nova possibilidade que pode prolongar a autonomia dos pacientes com Alzheimer nos estágios iniciais. Mas seu alto custo, exigência de diagnóstico específico e risco de efeitos adversos fazem dele um tratamento ainda reservado a poucos, embora represente um passo importante no enfrentamento da doença.