Após uma performance monumental que uniu a América Latina e impulsionou seus números no streaming, o astro porto-riquenho deixa fãs intrigados ao zerar seu perfil oficial no Instagram.
A noite do último domingo, 8 de fevereiro de 2026, não foi marcada apenas pela disputa entre New England Patriots e Seattle Seahawks no Levi’s Stadium, na Califórnia. O centro das atenções globais foi Benito Antonio Martínez Ocasio, o Bad Bunny. Em uma apresentação de cerca de 13 minutos que já é considerada uma das mais emblemáticas da história do Super Bowl, o “Conejo Malo” não apenas cantou; ele mandou um recado político e cultural para o mundo.
Uma celebração da identidade latina Diferente de apresentações anteriores, Bad Bunny trouxe a essência de Porto Rico e de toda a América Latina para o centro do campo. Com participações surpresa de ícones como Lady Gaga e Ricky Martin, o show foi uma ode à união do continente. O artista fez questão de exibir as bandeiras de todos os países latino-americanos e proclamar: “Nada é mais forte que o amor — nem mesmo o ódio”.
O simbolismo também esteve presente em seus trajes. Benito usou roupas que faziam alusão à sua própria história e homenageou figuras da resistência latina. A escolha de Bad Bunny como o primeiro artista solo de língua espanhola a liderar o show do intervalo foi vista como um marco de representatividade, mas também gerou polêmicas. Nos Estados Unidos, a repercussão dividiu opiniões políticas, com críticas de setores conservadores que viram na performance uma provocação direta às políticas de imigração.
O mistério do Instagram Apesar do triunfo, um movimento inesperado de Bad Bunny logo após o evento deixou os fãs em alerta. O cantor simplesmente apagou todas as publicações e a foto de perfil de seu Instagram, que conta com milhões de seguidores. No mundo do entretenimento, essa estratégia costuma preceder o anúncio de uma nova era ou álbum, mas, dado o teor emocional e político do show, muitos especulam se o “apagão” seria um protesto ou um tempo necessário para o artista processar o impacto da apresentação.
Explosão no Brasil e no mundo Se nas redes sociais o silêncio impera, nas plataformas de música o barulho é ensurdecedor. No Brasil, o efeito Super Bowl foi imediato: as reproduções de Bad Bunny no Spotify cresceram impressionantes 426% logo após o show. Faixas como “Yo Perreo Sola” e “El Apagón” registraram picos de crescimento que ultrapassaram os 2.500%. Globalmente, o catálogo do artista subiu 210%, reafirmando que a música em espanhol não é mais um “nicho”, mas uma potência dominante no mainstream.
Entendendo o contexto: Porto Rico e os EUA Para entender a força das mensagens de Bad Bunny, é preciso olhar para a história de sua terra natal. Porto Rico é um território não incorporado dos Estados Unidos desde 1898, após a Guerra Hispano-Americana. Embora os porto-riquenhos sejam cidadãos americanos, eles vivem em um limbo político: não podem votar para presidente e não têm representação plena no Congresso. Esse status de “colônia moderna” é um tema recorrente na obra de Benito, que usa palcos como o do Super Bowl para exigir visibilidade e respeito para sua ilha.
Com shows confirmados no Brasil para os dias 20 e 21 de fevereiro, no Allianz Parque, o público brasileiro aguarda ansioso para ver se o mistério das redes sociais será revelado em solo verde-amarelo.
Foto: Kevin Sabitus/Getty Images