Lideranças políticas, religiosas e culturais homenageiam a ialorixá e escritora, destacando seu legado na valorização do Candomblé e na defesa dos direitos humanos
Na tarde de quarta-feira, 22 de maio de 2025, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou uma sessão solene em homenagem ao centenário de nascimento de Mãe Stella de Oxóssi, uma das mais proeminentes lideranças religiosas e culturais do Brasil. A cerimônia foi presidida pela deputada Ivana Bastos e proposta pelas deputadas Fabíola Mansur (PSB) e Olívia Santana (PCdoB), reunindo autoridades, representantes de entidades culturais e religiosas, além de admiradores da trajetória da homenageada.
Durante a solenidade, foi anunciada a reedição do livro “Meu Tempo é Agora”, escrito por Mãe Stella e originalmente publicado pela ALBA em 2010. A obra, considerada fundamental para a compreensão dos valores e fundamentos do Candomblé, será relançada ainda este ano, atendendo a uma solicitação da deputada Fabíola Mansur.
Mãe Stella de Oxóssi, nascida Maria Stella de Azevedo Santos em 2 de maio de 1925, foi a quinta ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador. Formada em enfermagem, destacou-se por sua atuação na valorização do Candomblé como religião e cultura, sendo a primeira ialorixá a integrar a Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira 33, cujo patrono é o poeta Castro Alves.
A sessão contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a sucessora de Mãe Stella, Mãe Ana de Xangô; a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, representando o governador Jerônimo Rodrigues; e o presidente da Fundação Palmares, João Jorge Santos, representando o Ministério da Cultura.
Além da sessão na ALBA, outras homenagens marcaram o centenário de Mãe Stella. No dia 2 de maio, a Academia de Letras da Bahia realizou um evento no Palacete Góes Calmon, sede da instituição, com o lançamento do Instituto Mãe Stella de Oxóssi e a assinatura de um Protocolo de Intenções visando parcerias em projetos culturais e sociais.
Mãe Stella faleceu em 27 de dezembro de 2018, aos 93 anos, deixando um legado de luta pela valorização das religiões de matriz africana e pelos direitos das populações negras e periféricas. Seu centenário reforça a importância de sua trajetória e contribuições para a cultura e a sociedade brasileiras .