Somente 36% das crianças da rede pública alcançam o padrão esperado ao final do 2º ano do ensino fundamental
A Bahia apresentou em 2024 um índice de alfabetização infantil alarmante, com apenas 36% dos alunos da rede pública considerados alfabetizados ao término do 2º ano, conforme revelou, na última sexta-feira (11), o Ministério da Educação (MEC), por meio do Indicador Criança Alfabetizada. O número está muito abaixo da meta nacional de 60% para o período, e significativo contraste com média brasileira de 59,2%.
O Indicador, instituído em 2023, é calculado com base em avaliações estaduais, alinhadas ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e aplicadas a cerca de dois milhões de alunos em mais de 42 mil escolas espalhadas por 5.450 municípios. Em Brasília, o MEC acompanha semana a semana os 417 municípios baianos, priorizando suporte técnico presencial nas redes com desempenho crítico .
O índice baiano retrata um retrocesso: em 2023, 37% das crianças já haviam apresentado habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Inep. A meta estadual para 2024 era de 43%, mas não foi atingida . Em contrapartida, 11 estados superaram suas metas, com destaque para Ceará (85,3%), Goiás (72,7%), Minas Gerais (72,1%), Espírito Santo (71,7%) e Paraná (70,4%).
A situação baiana coloca o estado entre os oito piores do país, ao lado de Sergipe, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Amapá, Pará, Alagoas e Amazonas — todos com menos da metade das crianças alfabetizadas.
O ministro da Educação, Camilo Santana, atribuiu a falha em parte às enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024 — cujo impacto prejudicou a média nacional — e ressaltou a necessidade de ver a alfabetização como política de Estado, não de governo. A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, reforçou que há um trabalho intenso com visitas semanais, suporte técnico direcionado e monitoramento contínuo nas redes mais vulneráveis da Bahia.
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, iniciativa do MEC lançada em 2023, estabelece metas progressivas para alfabetização: 64% nacional em 2025 e 80% até 2030. Embora o país tenha avançado globalmente (de 56% para 59,2% entre 2023 e 2024), a Bahia permanece em situação crítica, exigindo reforço urgente nas práticas pedagógicas e políticas colaborativas entre estado e municípios.
Medidas como capacitação contínua de professores, implantação de programas efetivos de recomposição de aprendizagem e adoção de boas práticas, conforme seguem nos termos do compromisso nacional, são caminhos apontados por especialistas e gestores educacionais para reverter o quadro.