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Bloco gigante de 100 toneladas de gordura entope esgotos de Londres e acende alerta mundial

Thames Water
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Conhecido como “fatberg”, o iceberg de detritos e óleo de cozinha é um dos maiores já registrados e exige uma operação de guerra para ser removido

Os moradores de Londres foram surpreendidos por uma notícia nada agradável neste final de ano. Um gigantesco bloco de gordura e lixo, apelidado pelos especialistas de “fatberg” (uma mistura das palavras inglesas para gordura e iceberg), foi descoberto obstruindo uma importante galeria de esgoto da capital britânica. O “monstro” pesa impressionantes 100 toneladas — o equivalente a cerca de dez ônibus de dois andares — e se estende por dezenas de metros abaixo das ruas da cidade.

Esse fenômeno, embora pareça cena de filme de terror, é um problema real e crescente em grandes metrópoles. O bloco se forma a partir da mistura de óleo de cozinha descartado incorretamente nas pias com itens que nunca deveriam ser jogados no vaso sanitário, como lenços umedecidos, fraldas e absorventes. Com o tempo, essa mistura endurece como se fosse concreto, impedindo a passagem da água e causando mau cheiro e riscos de inundações.

Uma operação complexa e perigosa A empresa responsável pelo saneamento de Londres, a Thames Water, já iniciou os trabalhos de remoção, mas a tarefa está longe de ser simples. Operários precisam descer aos túneis equipados com jatos de água de altíssima pressão e ferramentas manuais para quebrar o bloco aos poucos. O ambiente é hostil, com gases tóxicos e espaço limitado, o que torna o processo lento e caro, custando milhões de libras aos cofres públicos.

Historicamente, Londres já enfrentou fatbergs ainda maiores, como o famoso exemplar de Whitechapel em 2017, que pesava 130 toneladas e levou semanas para ser totalmente retirado. A recorrência desses incidentes mostra que, apesar das campanhas de conscientização, o hábito de descartar resíduos de forma errada ainda é um desafio cultural e de infraestrutura.

O impacto ambiental e o alerta para o Brasil Além do prejuízo financeiro e do risco de o esgoto transbordar para as ruas e casas, existe um grave impacto ambiental. Quando o sistema entope, o excesso pode acabar sendo desviado para rios, poluindo as águas e matando a fauna local.

No Brasil, o problema também existe, embora em escalas diferentes. Nas grandes capitais brasileiras, o descarte de óleo de fritura é a principal causa de entupimentos em redes residenciais e públicas. Especialistas lembram que o óleo nunca deve ir para o ralo: o correto é armazená-lo em garrafas PET e destiná-lo a postos de reciclagem, onde ele pode ser transformado em sabão ou até biodiesel. A situação de Londres serve como um lembrete global de que as pequenas ações na cozinha de casa podem ter consequências gigantescas — e bem desagradáveis — no subsolo das cidades.