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Brasil consolida-se como segundo maior exportador de jogadores no mercado global

Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
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Estudo revela que clubes brasileiros faturaram cerca de € 2,6 bilhões com vendas internacionais nos últimos 10 anos, reforçando o país como celeiro de talentos no futebol mundial

Em mais uma prova do protagonismo do país no cenário internacional, o Brasil alcançou a expressiva 2ª posição entre os países que mais arrecadaram com a saída de jogadores para o exterior na última década. Um estudo divulgado no dia 29 de outubro de 2025 aponta que os clubes brasileiros movimentaram aproximadamente € 2,604 bilhões (equivalente a cerca de R$ 16 bilhões) em negociações realizadas entre 2015 e 2025, superando países como Espanha e Portugal, e ficando atrás apenas da França, que lidera com cerca de € 3,976 bilhões.

A dinâmica desse mercado

Segundo a análise, esse faturamento expressivo advém majoritariamente da venda de talentos ainda jovens: cerca de 50,1% dos valores arrecadados na faixa brasileira correspondem a atletas com 20 anos ou menos. Isso evidencia que muitos clubes têm atuado como formadores de atletas precoces, que logo migram para o exterior.
Além disso, o levantamento mostra que o jogador brasileiro com perfil em ascensão costuma sair cedo, o que levanta questionamentos sobre o impacto esportivo dessa estratégia (isto é: clubes revelam, vendem rápido, e talvez percam competitividade interna).

Contexto no Brasil

O papel do Brasil no mercado global de transferências não é recente: levantamentos anteriores já mostravam que o país foi o que mais transferiu jogadores para o exterior em determinados anos — por exemplo, em 2022, segundo relatório da Ernst & Young, o Brasil foi o país com mais saídas de atletas para o exterior.
Em termos de clubes, a tendência se confirma: equipes brasileiras vêm conseguindo arrecadar valores cada vez maiores com vendas. Conforme relatório da consultoria Sports Value, o salto em receitas de transferências em 2024 foi de cerca de 88% em relação a 2023, com os clubes brasileiros também aumentando fortemente seus gastos em contratações (crescimento de ~142%).

O que isso significa para o futebol nacional

Do ponto de vista financeiro, a exportação de jogadores tornou-se uma fonte estratégica para muitos clubes brasileiros. Considerando que, em alguns casos, a venda de atletas representa parte significativa do orçamento anual, tal receita pode dar fôlego para investimentos em infraestrutura, formação e reforços.
Por outro lado, esse modelo também carrega riscos: a saída precoce de talentos pode impactar a competitividade dos clubes no futebol brasileiro — se os atletas são vendidos cedo, o clube formado pode não se beneficiar plenamente de seu auge esportivo. Além disso, a dependência excessiva desse tipo de receita pode tornar os clubes vulneráveis a oscilações de mercado ou câmbio.

Cenário futuro e tendências

Com o mercado europeu em constante valorização e os clubes brasileiros mais atentos à formação e à negociação de atletas jovens, espera-se que o Brasil continue figurando entre os principais “exportadores” de talentos. No entanto, será crucial que os clubes equilibrem essa estratégia com a construção de times competitivos internamente, para que a base se fortaleça e os clubes não sejam apenas “produtos de exportação”.

Além disso, com as mudanças no mercado global — como a crescente atuação de clubes da Arábia Saudita, o reajuste nas cotas de transmissão e o impacto pós-pandemia nas finanças — o valor das negociações, bem como os termos (bônus, porcentagens de revenda, cláusulas escalonadas) devem ganhar ainda mais importância.