Ministério da Saúde introduz medicamento de dose única para crianças; medida foca na região Amazônica e promete facilitar a cura da doença
Uma notícia traz esperança para milhares de famílias brasileiras: o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a utilizar um novo aliado no combate à malária em crianças menores de 16 anos. O tratamento utiliza a tafenoquina pediátrica (50 mg), uma medicação específica para pequenos que pesam entre 10 kg e 35 kg. Com essa iniciativa, o Brasil faz história ao se tornar a primeira nação do planeta a disponibilizar esse tipo de tratamento infantil na rede pública.
A chegada desse remédio resolve um problema antigo. Até então, o tratamento padrão para a malária podia durar até 14 dias. Para uma criança, tomar remédio por duas semanas seguidas é um desafio enorme, o que muitas vezes levava à interrupção do tratamento antes da hora. Agora, a tafenoquina funciona em dose única. Isso significa mais conforto para os pequenos, praticidade para os pais e a garantia de que o parasita será eliminado por completo, evitando que a doença volte.
Foco onde a ajuda é mais necessária A malária ainda é um desafio gigante na região Amazônica, que concentra 99% dos casos do país. O público infantil é o mais atingido, representando cerca de metade das notificações de malária no Brasil. Por isso, o Ministério da Saúde investiu R$ 970 mil na compra de mais de 120 mil comprimidos, que estão sendo entregues gradualmente.
As áreas prioritárias são os territórios indígenas e distritos com maior incidência, como as regiões Yanomami, Alto Rio Negro, Tapajós e Vale do Javari. O território Yanomami, inclusive, foi o primeiro a receber o lote inicial de 14.550 comprimidos. Vale lembrar que o remédio é indicado para casos de malária vivax, para crianças acima de 10 kg, e não deve ser usado por grávidas ou mulheres que estejam amamentando.
Números que mostram avanço Os esforços no combate à doença já estão dando frutos. Em 2025, o Brasil atingiu a marca histórica do menor número de casos de malária desde 1979, com uma redução de 15% em comparação ao ano anterior. No território Yanomami, o cenário também melhorou: entre 2023 e 2025, houve um salto de mais de 100% na realização de testes e diagnósticos, o que ajudou a derrubar o número de mortes em 70%.
Além da nova medicação, o governo segue reforçando a busca ativa de doentes, o controle de mosquitos e a oferta de testes rápidos para garantir que a malária deixe de ser uma ameaça tão grave nas regiões mais vulneráveis do país.