País realizou mais de 3 milhões de procedimentos estéticos, reafirmando posição de destaque no cenário global
Um novo relatório da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), divulgado durante o Congresso Mundial da entidade, confirma que o Brasil é o país que mais realiza cirurgias e procedimentos estéticos no mundo em 2024. Com um total de 3.123.758 intervenções — sendo 2.354.513 cirúrgicas e 769.245 não cirúrgicas —, o país ultrapassou os Estados Unidos em número absoluto e representou cerca de 9% dos procedimentos globais.
A lipoaspiração manteve-se como a cirurgia mais realizada no Brasil, com 289.766 casos (12,3% do total), seguida por aumento de mama (232.593; 9,9%), blefaroplastia (231.293; 9,8%), abdominoplastia (192.961; 8,2%) e aumento de glúteos (168.272; 7,1%).
Nos procedimentos não invasivos, a toxina botulínica foi líder absoluta com 351.488 aplicações (45,7%), seguida por preenchimento com ácido hialurônico (176.069; 22,9%), tratamentos de rejuvenescimento tipo “lifting” (60.422; 7,9%), laser ablativo (54.575; 7,1%) e depilação definitiva (29.237; 3,8%).
Enquanto o mundo registrou uma queda de cerca de 4,8 a 6,7% no total de procedimentos em 2024, o Brasil elevou seu número de cirurgias cirúrgicas em 7,5%, subindo de 2.185 milhões em 2023 para 2.354 milhões em 2024. O crescimento vem acompanhado de incremento nos procedimentos faciais, como o necklift (+30%), blefaroplastia (+8%) e rinoplastia (+15%).
O país também se destaca como polo de turismo médico, atraindo estrangeiros — principalmente dos EUA, Portugal e Itália — que representaram 8,2% do total de operações em terras brasileiras, frente a 6% no ano anterior. Além disso, o público masculino já corresponde a 21% dos pacientes, uma alta em comparação à média global de 16,1%.
O crescimento da cirurgia plástica no Brasil reflete não apenas a excelência médica, mas também fatores culturais e econômicos. A experiência técnica dos cirurgiões, custos mais acessíveis, forte tradição estética e influências sociais — como o culto ao corpo — consolidam o país como referência mundial.
Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é essencial buscar profissionais certificados, por meio do site da entidade, para garantir segurança e qualidade.
Embora os números impressionem, o crescimento acende um alerta quanto à necessidade de regulamentação eficaz, limites éticos e garantia da segurança do paciente. A valorização da estética não pode sobrepor critérios como qualificação profissional, exames pré-operatórios e acompanhamento pós-cirúrgico.
Além disso, o aumento expressivo de procedimentos faciais e minimamente invasivos mostra uma busca por soluções rápidas, com menos riscos e tempo de recuperação, mas também com possíveis efeitos psicológicos e fisiológicos que devem ser acompanhados por profissionais experientes.