Governo alerta sobre riscos do consumo de produtos ilegais e reforça ações de fiscalização para conter a contaminação que se espalha por diversos estados
O Brasil enfrenta uma grave crise de saúde pública provocada pelo consumo de bebidas adulteradas com metanol, uma substância altamente tóxica. Até o momento, o Ministério da Saúde confirmou 15 mortes e 58 casos de intoxicação em diferentes regiões do país. As autoridades estão em alerta máximo e intensificam as fiscalizações para conter o avanço do problema.
Os casos começaram a chamar atenção após diversas internações por sintomas graves, como fortes dores de cabeça, náuseas, vômitos, tontura e perda de visão, sintomas típicos da intoxicação por metanol. Em muitos pacientes, o quadro evoluiu rapidamente para insuficiência respiratória e morte. O metanol, também conhecido como álcool metílico, é um composto químico usado na indústria, e não deve ser ingerido em hipótese alguma. Ele é comumente encontrado em produtos como combustíveis, solventes e tintas, e pode causar cegueira e falência de órgãos mesmo em pequenas quantidades.
De acordo com o Ministério da Saúde, as ocorrências se espalham por estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Bahia, onde os casos estão sendo investigados em parceria com as secretarias estaduais de saúde. Em alguns locais, a Polícia Civil já apreendeu lotes de cachaças e outras bebidas alcoólicas falsificadas, produzidas de forma clandestina e vendidas sem qualquer tipo de registro ou fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O metanol é utilizado ilegalmente por produtores que buscam aumentar o rendimento e reduzir custos de fabricação, substituindo o etanol — o álcool próprio para consumo — por uma substância muito mais barata, porém extremamente perigosa. Segundo especialistas, o corpo humano transforma o metanol em formaldeído e ácido fórmico, compostos que destroem o sistema nervoso central e causam lesões irreversíveis nos rins, no fígado e na retina.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal, iniciou uma operação para identificar as fontes da contaminação e punir os responsáveis. O governo também emitiu alertas para a população evitar bebidas de procedência duvidosa, especialmente aquelas vendidas em embalagens sem rótulo, com lacres violados ou preços muito abaixo do mercado.
A Anvisa reforça que o consumidor deve sempre verificar se o produto possui selo fiscal e registro válido. Em caso de suspeita de adulteração, é essencial denunciar às autoridades locais e procurar atendimento médico imediatamente após qualquer sintoma de intoxicação.
O Conselho Federal de Química destacou que não existe quantidade segura de metanol para consumo humano e que apenas pequenas doses podem ser fatais. A recomendação é que a população só compre bebidas alcoólicas em estabelecimentos regulamentados e com nota fiscal, garantindo a procedência do produto.
Enquanto isso, o Ministério da Saúde monitora os casos em tempo real e trabalha para fortalecer as ações de vigilância sanitária e controle da produção de bebidas no país. A expectativa é que novas medidas de combate à adulteração sejam anunciadas nos próximos dias.