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Brasil registra 8 mortes por intoxicação com bebida adulterada; 41 casos confirmados e alerta nacional

Sandro Araújo/Agência Saúde DF
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Metanol em bebidas alcoólicas já causou óbitos em São Paulo e Pernambuco, e estados intensificam fiscalização e ações de saúde

O Brasil vive uma grave crise de saúde pública motivada por intoxicações provocadas por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. Segundo o mais recente boletim do Ministério da Saúde, o número de mortes confirmadas subiu para oito, enquanto 41 casos já foram oficialmente confirmados e outros 107 estão em investigação.

Onde os casos ocorreram

Até agora, a maior parte dos casos confirmados está concentrada no estado de São Paulo, onde foram identificados 33 casos. Outros estados com confirmações são Paraná (4), Pernambuco (3) e Rio Grande do Sul (1).

Quanto aos óbitos, seis ocorreram em São Paulo e duas em Pernambuco. Há ainda pelo menos 10 mortes sob investigação, distribuídas entre São Paulo, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Paraná.

Em Jundiaí (SP), a prefeitura confirmou um caso fatal entre sete notificações de suspeita. Seis desses casos foram descartados, e o paciente evoluiu para óbito após ingerir bebida de procedência desconhecida.

No Nordeste, em Pernambuco, foram confirmadas duas mortes e um caso de cegueira temporária após consumo de bebida adulterada no município de Lajedo. Um homem suspeito de falsificar as bebidas foi preso em uma operação conjunta das polícias locais.

Por que isso está ocorrendo

O metanol é usado tradicionalmente na indústria como solvente ou combustível, mas não pode ser consumido por seres humanos. Ao ser metabolizado no fígado, transforma-se em formaldeído e ácido fórmico — compostos capazes de causar cegueira irreversível, falência renal, danos neurológicos e morte.

Investigações apontam que fábricas clandestinas de bebidas alcoólicas podem estar usando metanol achando que se trata de etanol (álcool comum) para produzir destilados adulterados. Em São Paulo, uma dessas fábricas foi fechada em São Bernardo do Campo durante operação policial. Os investigadores suspeitam que parte do metanol usado teria sido adquirido em um posto de gasolina sob falsa identidade.

Diagnóstico e tratamento

O tratamento mais eficaz para intoxicação por metanol é o uso do antídoto fomepizol, que bloqueia as enzimas que transformam o metanol em compostos tóxicos. No Brasil, foram adquiridas doses do medicamento por meio do Fundo Estratégico da OPAS, já que seu uso ainda não possui registro nacional.

Em paralelo, o etanol farmacêutico tem sido usado como alternativa quando o fomepizol não está disponível, porque também compete com o metanol no organismo e pode reduzir os efeitos tóxicos.

Os sintomas iniciais podem incluir náuseas, vômitos, tontura, visão turva ou embaçada, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e dor abdominal. Em casos mais severos, convulsões, perda da visão e falência múltipla dos órgãos podem ocorrer com rapidez.

Impactos além dos casos de saúde

A crise já afetou o consumo no varejo: em supermercados de São Paulo e atacarejos, as vendas de bebidas destiladas (vodka, gin, uísque) caíram até 34% no início de outubro, comparando com o mesmo período do ano anterior. No Brasil como um todo, a queda estimada foi de 29%. Isso reflete o receio da população.

As autoridades sanitárias reforçam a importância de consumir bebidas de origem confiável, com rótulo, selo fiscal, lacre de segurança e garantia de fabricação legal. Também destacam que muitas falsificações são sofisticadas e difíceis de identificar visualmente.

O que o Brasil pode aprender com casos anteriores

O Brasil já enfrentou episódios semelhantes no passado. Em 1990, um evento conhecido como “cachaça da morte” causou pelo menos 24 mortes em Santo Amaro (Bahia) e outras em cidades do Piauí, após ingestão de cachaças adulteradas com metanol.

Esses episódios reforçam que esse tipo de adulteração é uma ameaça persistente quando há brechas na fiscalização, impunidade e mercado clandestino de bebidas.

Caminhos para controle e prevenção

  • Fiscalização intensificada nos bares, distribuidoras e fábricas clandestinas.
  • Ações integradas entre vigilância sanitária, polícia civil, ministério público e órgãos de saúde.
  • Campanhas educativas para alertar a população sobre os perigos e os sinais de intoxicação.
  • Ampliação do acesso ao antídoto (fomepizol) e fortalecimento da rede hospitalar para atendimento urgente.
  • Fortalecimento das penas para falsificação e comercialização de bebidas contaminadas, com responsabilização criminal.

A crise revela a urgência de políticas permanentes para garantir a segurança alimentar e sanitária. A luta não é apenas contra os casos ocorridos, mas contra o risco latente que sempre existirá enquanto houver mercado clandestino sem fiscalização.